
Uma das lendas urbanas mais populares do turismo goiano voltou a ganhar destaque nas plataformas digitais. A influenciadora Sarah Campos publicou um vídeo esclarecendo o mito sobre a existência de um suposto vulcão adormecido na região do município de Rio Quente.
A narrativa de que uma estrutura vulcânica subterrânea seria responsável por aquecer o lençol freático acompanhou gerações de moradores e visitantes da região hidrotermal. A criadora de conteúdo compartilhou sua própria experiência com a história popular que escutava na infância.
"Eu cresci acreditando que existe vulcão aqui no Rio Quente e que, a qualquer momento, ele poderia entrar em erupção e eu poderia virar churrasco. E toda essa fofoca começou porque as pessoas queriam justificar o porquê das águas aqui do Rio Quente da região nascerem a mais de 38°C", explicou no vídeo.
Ao contrário da crença popular, a temperatura elevada das águas — que costuma alcançar marcas entre 38 ºC e 40 ºC — é fruto de um fenômeno físico e geológico sem qualquer ligação com magma ou vulcanismo ativo.
Dados técnicos do Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (Pescan) apontam que a explicação científica está na formação rochosa local. A estrutura geotectônica da serra apresenta uma rede profunda de fendas e fraturas na rocha.
A água das chuvas penetra nas camadas permeáveis do solo e desce a profundidades que podem superar centenas de metros. À medida que avança em direção ao interior da terra, o líquido entra em contato com o gradiente geotérmico, onde o calor natural do núcleo do planeta aquece as rochas.
"Aquela história do vulcão pode até parecer interessante, mas a verdadeira explicação é muito mais curiosa. É simplesmente a natureza criando naturalmente uma piscina termal", pontuou Sarah Campos.
Sob forte pressão e com a temperatura elevada, a água acumulada encontra caminho pelas fissuras das rochas e retorna à superfície na forma de nascentes e aquíferos termais. Todo o processo de infiltração, aquecimento e ressurgência pode levar décadas para se completar no ciclo hidrológico.
O ecossistema que abastece os complexos turísticos de Rio Quente e Caldas Novas está resguardado no perímetro do Pescan. Criado originalmente no ano de 1970, o parque ambiental possui uma extensão territorial de 12,3 mil hectares.
A unidade de conservação é gerenciada diretamente pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A área protege as bacias de recarga hídrica fundamentais para assegurar a perenidade do reservatório termal e a manutenção da biodiversidade típica do Cerrado.
A repercussão do conteúdo expositivo nas redes demonstrou que a explicação científica ainda era desconhecida por grande parcela do público. A constatação de que as piscinas aquecidas derivam exclusivamente de um processo geotérmico de infiltração profunda surpreendeu internautas que mantinham a tese vulcânica desde a infância.
O conjunto de aquíferos hidrotermais de Rio Quente e Caldas Novas se consolida como um dos maiores mananciais térmicos do mundo, atraindo milhões de visitantes todos os anos interessados nas propriedades minerais e no aquecimento natural da bacia hídrica.