
A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) cumpriu mandados de prisão temporária contra três suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em golpes com cartões vale-alimentação e vale-refeição. A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (23) por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), vinculado à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).
As investigações revelam que a quadrilha atuou em mais de 220 municípios distribuídos por diversos estados do país. No município goiano de Barro Alto, a fraude deixou um rastro de destruição financeira entre empresários locais, resultando em um rombo estimado em R$ 800 mil apenas na cidade.
O modus operandi do grupo consistia em vencer centenas de licitações públicas para a gestão dos benefícios concedidos a servidores municipais. Para garantir a vitória nos certames, as empresas administradas pelos suspeitos ofereciam descontos considerados inexequíveis, registrando deságios que variavam de 17% até 30,5%.
Com margens inviáveis, a empresa não conseguia honrar os repasses devidos aos estabelecimentos comerciais credenciados. Para sustentar o fluxo financeiro e adiar o colapso, os investigados utilizavam os recursos obtidos em novos contratos para quitar dívidas das licitações anteriores, configurando uma estrutura de pirâmide financeira.
"Os valores dos novos contratos eram usados para cobrir repasses atrasados dos contratos anteriores, mas quando a captação de novos municípios desacelerou, o esquema entrou em colapso", explicou o delegado Murilo Freire, responsável pela condução das investigações.
Quando os repasses deixavam de ser efetuados, a direção da empresa alegava aos comerciantes que havia sido vítima de um sofisticado ataque hacker. O grupo afirmava ainda que um processo judicial já tramitava na Justiça de São Paulo para apurar a invasão cibernética, justificando a reterção dos valores cobrados das prefeituras.
A apuração policial teve início após comerciantes de Barro Alto registrarem denúncias em setembro do ano passado. Mesmo recebendo a verba integral repassada pela gestão municipal, a administradora interrompeu os pagamentos à rede credenciada local. Um único comerciante do município relatou ter sofrido um prejuízo individual de R$ 200 mil.
Com o avanço do inquérito, os agentes identificaram que a fraude alcançou cidades paulistas como Barueri, Limeira e a capital São Paulo, além de municípios espalhados por Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
Os montantes angariados por meio do estelionato eram pulverizados em uma rede de contas bancárias e empresas de fachada para dificultar o rastreamento. As identidades dos três presos não foram divulgadas pelas autoridades policiais.
Mandados de busca: Cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Bloqueio de patrimônio: A Justiça decretou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos suspeitos, englobando seis imóveis em São Paulo.
Enquadramento criminal: Os três detidos responderão pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, associação criminosa e lavagem de capitais.
A operação conduzida pela PCGO contou com o suporte operacional da Polícia Civil do Estado de São Paulo e a cooperação estratégica do Ministério da Justiça e Segurança Pública.