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‘Ainda estou em choque’: vítima de fisioterapeuta presa em Goiânia relata drama após procedimento estético malfeito

Empreendedora teve bolhas, queimaduras e ferida profunda nos seios após passar por intervenção com endolaser realizada por profissional sem alvará sanitário

Por: Cleyber Carlos
24/09/2026 às 16h46
‘Ainda estou em choque’: vítima de fisioterapeuta presa em Goiânia relata drama após procedimento estético malfeito
Maria Aparecida relata ter sofrido feridas após procedimento estético com endolaser (Foto: Arquivo pessoal)

Empreendedora teve bolhas, queimaduras e ferida profunda nos seios após passar por intervenção com endolaser realizada por profissional sem alvará sanitário

Um relato dramático traz novos detalhes sobre a atuação da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, investigada e presa pela Polícia Civil em Goiânia sob a suspeita de deformar pacientes durante a realização de procedimentos estéticos invasivos.

A empreendedora Maria Aparecida Batista Moura, de 36 anos, é uma das mulheres que buscou a profissional e acabou com graves complicações de saúde. Maria contou que contratou o serviço para realizar o levantamento das mamas com a técnica de endolaser, mas o procedimento resultou em queimaduras severas, bolhas e uma ferida aberta e profunda na região torácica.

 

A promessa do procedimento promocional

O interesse pelo tratamento surgiu por indicação de uma conhecida que já havia feito atendimentos no local. Ao ver divulgações nas redes sociais que prometiam o levantamento de mama com endolaser, Maria decidiu realizar o procedimento.

A fisioterapeuta oferecia um valor promocional de R$ 1,8 mil para pacientes que aceitassem atuar como modelos e autorizassem a captação de imagens de "antes e depois", sem a exibição do rosto.

"Eu já tenho um pouco de trauma sobre os meus seios. Tenho uma flacidez, então sempre quis realizar um sonho de levantamento de mama", relatou a vítima.

Após o envio de uma foto para avaliação preliminar, o atendimento foi confirmado e agendado para o dia 3 de setembro.

 

Dores intensas e falta de marcação cirúrgica

Maria Aparecida relatou ter estranhado a conduta inicial adotada no consultório. Segundo o depoimento, a fisioterapeuta se ateve apenas aos registros fotográficos e não executou nenhuma marcação prévia na pele antes de iniciar a intervenção.

"Ela só se preocupou em tirar o antes e o depois. Não fez nenhuma marcação nos seios, só mandou eu deitar numa cadeira lá e começou já os procedimentos", afirmou Maria.

A paciente recebeu anestesia local e a aplicação de uma substância não identificada. Na sequência, a investigada começou a manusear o equipamento de laser. Mesmo sob efeito dos anestésicos, Maria relatou ter sentido um calor extremo e dores intensas. Apesar dos sucessivos alertas de dor feitos pela paciente, a aplicação continuou após novas doses de anestesia.

Ao fim da sessão, por volta das 20h, Maria percebeu que a pele dos seios estava avermelhada e lesionada. Na manhã seguinte, ao acordar com bolhas de grande porte, entrou em contato com a profissional, que alegou ser uma reação normal do pós-operatório.

 

Piora do quadro, infecção e proposta de "costura" no consultório

Nos dias subsequentes, a rotina de trabalho da empreendedora foi marcada por forte desconforto ao usar roupas e sutiã. A fisioterapeuta insistia que as lesões faziam parte do processo inflamatório natural e orientava o uso contínuo de uma pomada. Para convencer a vítima, a profissional chegou a enviar fotos das lesões de outras clientes.

No 14º dia após a intervenção, com a ferida se aprofundando, a paciente enviou novas imagens. A fisioterapeuta solicitou que Maria retornasse ao consultório para passar por um procedimento em que pretendia "dar pontos" e costurar a ferida aberta.

A gravidade do quadro só ficou clara quando uma amiga observou as fotos e alertou que a amiga poderia estar com uma infecção grave e necrose, orientando-a a buscar um pronto-socorro imediatamente.

"Eu já comecei a chorar, porque até então parece que eu estava cega. Foi onde parece que Deus abriu meus olhos e falou: 'Corre pro hospital'", contou a empreendedora.

 

Internação e desdobramentos das investigações

Maria buscou atendimento médico emergencial e, após avaliação inicial, precisou ser transferida para uma unidade especializada em Senador Canedo. Durante a internação, descobriu a existência de outros casos semelhantes e tomou conhecimento da prisão de Magda Oliveira da Silva.

A vítima agora faz parte de um grupo que reúne pelo menos 25 mulheres com relatos de complicações após procedimentos com a mesma profissional.

"O mais terrível foi ela ver a situação dos meus seios e falar para eu voltar lá para ela dar pontos. Parece que não foi nem comigo. Eu ainda estou em choque, parece que estou fora de mim", desabafou.

A fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva foi presa preventivamente pela Polícia Civil em Goiânia. As investigações já identificaram pelo menos sete vítimas formais com lesões graves em áreas faciais, glúteas, íntimas e mamárias, incluindo casos de necrose e perda de tecido. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam medicamentos vencidos e constataram que o local não possuía alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária.

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