
A Justiça de Goiás condenou o advogado Michel de Lacerda Bento a uma pena de 22 anos de reclusão em regime inicial fechado pelo crime de estelionato. As apurações judiciais comprovaram que o profissional montou um esquema fraudulento prometendo a redução no valor de parcelas de financiamentos imobiliários no município de Catalão, situado na Região Sudeste do estado.
A sentença proferida pelo Poder Judiciário contemplou o prejuízo direto causado a 27 vítimas identificadas. Além da pena privativa de liberdade, o réu foi condenado ao pagamento de 1.356 dias-multa e terá que arcar com uma indenização fixada em R$ 15 mil por danos morais para cada uma das pessoas lesadas. A decisão manteve a prisão preventiva do bacharel em Direito, negando-lhe o direito de recorrer da condenação em liberdade.
O modus operandi aplicado pelo profissional baseava-se em captar clientes que enfrentavam dificuldades financeiras com contratos de imóveis. Michel orientava as vítimas a interromperem sumariamente o pagamento das prestações devidas às instituições bancárias e loteadoras.
Em seguida, o advogado exigia que os valores fossem repassados diretamente a ele. A justificativa apresentada aos contratantes era de que os montantes seriam destinados para custear despesas processuais e depósitos judiciais vinculados às ações revisionais.
"Na prática, os valores eram apropriados pelo advogado. Ele chegou a entrar com ações judiciais, mas os processos eram posteriormente abandonados ou encerrados sem análise dos pedidos." — Trecho dos autos do processo criminal
A ausência de repasses e o abandono das causas fizeram com que os clientes passassem a ser cobrados diretamente pelos credores originais. Os impactos financeiros desdobraram-se em tragédias pessoais: diversas pessoas foram despejadas de suas moradias, enquanto outros clientes passaram a responder a execuções judiciais promovidas pelas loteadoras, sob risco iminente de perda da propriedade.
A derrocada do esquema teve início após uma enxurrada de denúncias apresentadas por moradores lesados junto ao Ministerio Público de Goiás (MPGO) e à Polícia Civil. A articulação entre os órgãos deu origem a um procedimento criminal e a um inquérito focado nas movimentações do profissional.
No decorrer das diligências, as autoridades policiais requereram à Justiça a quebra dos sigilos bancários, o bloqueio de ativos financeiros e a decretação da prisão preventiva do investigado. As medidas foram deferidas, culminando na prisão do advogado em 7 de julho de 2026.
Durante a audiência de instrução e julgamento, testemunhas e vítimas prestaram depoimentos detalhando os golpes. Interrogado frente ao magistrado, Michel de Lacerda Bento confessou a prática dos crimes.
A denúncia formal abrangia originalmente 28 casos, mas o réu acabou absolvido em um deles por ausência de provas relativas à obtenção de vantagem ilícita. A defesa do condenado não foi localizada para comentar o veredito, mantendo-se o espaço aberto para manifestação oficial.