
Um fisioterapeuta foi preso em flagrante pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) na manhã desta quarta-feira (7), suspeito de causar lesões e deformidades em pacientes durante a realização de procedimentos estéticos ilegais em Goiânia.
Além da prisão, os agentes da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) cumpriram dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, incluindo a clínica onde os atendimentos eram realizados.
Durante a inspeção no estabelecimento clandestino, as equipes policiais e os fiscais sanitários encontraram uma estrutura inadequada para a realização de intervenções invasivas. No local, foram apreendidos medicamentos com prazos de validade expirados, insumos de uso estritamente hospitalar e aparato cirúrgico.
Os investigadores também localizaram substâncias sem qualquer tipo de registro ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), blocos de receituários médicos em branco e até o carimbo profissional pertencente a uma médica.
"O estabelecimento funcionava em condições insalubres de higiene, sem alvará sanitário e sem responsável técnico habilitado para a execução dos procedimentos", apontou a equipe da operação.
A fiscalização da Anvisa acompanhou de perto toda a ação da Decon e determinou a interdição imediata e definitiva do local. O órgão constatou a ausência completa de condições mínimas de segurança biológica para o atendimento ao público.
A operação ocorre em meio ao surgimento de relatos graves de pessoas atendidas pelo investigado na capital. Vítimas relatam complicações severas após as intervenções, enfrentando dificuldades para encontrar profissionais médicos dispostos a assumir o tratamento reparador das lesões provocadas no local.
"A gente fica sem saber para onde ir ou a quem recorrer. Não sei o que vai ser da minha vida depois do que aconteceu com o meu rosto", relatou uma das vítimas afetadas pelos procedimentos.
O fisioterapeuta foi autuado em flagrante e responderá por exercício ilegal da medicina, crime contra as relações de consumo e venda ou exposição à venda de mercadoria em condições impróprias para o consumo.
Caso venha a ser condenado por todas as infrações penais apuradas pela Polícia Civil, a soma das penas do investigado pode chegar a 12 anos de prisão. O caso segue sob investigação da Decon para mapear o número total de pacientes lesados.