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Vídeos inéditos mostram PMs atirando em jovem rendido e desarmado em Paraisópolis

Agentes foram absolvidos pela Justiça no fim de julho, mas imagens de câmeras corporais revelam sussurros após os disparos e contrariam versão oficial de legítima defesa

Redação
Por: Redação
07/08/2026 às 09h32
Vídeos inéditos mostram PMs atirando em jovem rendido e desarmado em Paraisópolis
PMs com body cam atiram em Igor, mesmo ele tendo erguido as mãos para se render. Suspeito foi morto com dois tiros dados pelos agentes em Paraisópolis — Foto: Reprodução

Imagens inéditas de câmeras corporais revelam o momento exato em que policiais militares atiram contra Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma abordagem em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. O jovem estava desarmado e com as mãos para o alto.

Os disparos foram efetuados pelos soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima. Apesar dos registros em vídeo, os dois agentes foram absolvidos por um Tribunal do Júri no último dia 30 de julho, o que resultou na expedição do alvará de soltura de ambos.

 

Dinâmica da abordagem

A ocorrência foi registrada no ano passado. Nas novas gravações, é possível observar os PMs invadindo uma residência e encurralando quatro suspeitos em um quarto. Todos se rendem imediatamente após os agentes efetuarem tiros contra as paredes do imóvel.

Igor aparece nas imagens obedecendo às ordens dos policiais, sem esboçar reação. O soldado Renato exige que ele se levante e, durante o movimento, atira contra o rapaz. O soldado Robson dispara na sequência, quando a vítima já estava neutralizada no chão.

Após os tiros, o comportamento da equipe muda drasticamente. Acreditando que os equipamentos de gravação estavam desligados, os militares começam a sussurrar dentro do quarto.

 

Gravação acidental e sussurros

As câmeras utilizadas pelos agentes exigiam acionamento manual. No entanto, um dos policiais ativou o próprio equipamento e o sistema ligou automaticamente as demais câmeras da equipe em um raio de 20 metros, via conexão Bluetooth.

Sem saberem que o áudio e o vídeo estavam sendo registrados, os PMs forjam uma narrativa para justificar a ação a um superior que chega ao local. Eles alegam que o grupo resistiu e que a vítima segurava um "cabo de madeira".

"Tava armado, caralho. Tava armado."

O porta-voz da Polícia Militar, coronel Emerson Massera, reconheceu a gravidade do conteúdo gravado e classificou a conduta da equipe como ilegal e injustificável.

"Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse."

 

Absolvição e recursos

O julgamento que inocentou os atiradores durou três dias. O conselho de sentença reconheceu a autoria dos disparos, mas optou pela absolvição. Outros dois soldados que participaram da ação respondem como colaboradores e aguardam julgamento em um processo desmembrado.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu em inquérito que houve execução. Nenhum armamento foi apreendido com os quatro homens abordados na viela.

A defesa da família de Igor recorreu da decisão. Os advogados argumentam que o veredito dos jurados ignora completamente as provas materiais anexadas aos autos e exigem a anulação do júri para a marcação de um novo julgamento.

Imagens inéditas de câmeras corporais revelam o momento exato em que policiais militares atiram contra Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma abordagem em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. O jovem estava desarmado e com as mãos para o alto.

Os disparos foram efetuados pelos soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima. Apesar dos registros em vídeo, os dois agentes foram absolvidos por um Tribunal do Júri no último dia 30 de julho, o que resultou na expedição do alvará de soltura de ambos.

 

Dinâmica da abordagem

A ocorrência foi registrada no ano passado. Nas novas gravações, é possível observar os PMs invadindo uma residência e encurralando quatro suspeitos em um quarto. Todos se rendem imediatamente após os agentes efetuarem tiros contra as paredes do imóvel.

Igor aparece nas imagens obedecendo às ordens dos policiais, sem esboçar reação. O soldado Renato exige que ele se levante e, durante o movimento, atira contra o rapaz. O soldado Robson dispara na sequência, quando a vítima já estava neutralizada no chão.

Após os tiros, o comportamento da equipe muda drasticamente. Acreditando que os equipamentos de gravação estavam desligados, os militares começam a sussurrar dentro do quarto.

 

Gravação acidental e sussurros

As câmeras utilizadas pelos agentes exigiam acionamento manual. No entanto, um dos policiais ativou o próprio equipamento e o sistema ligou automaticamente as demais câmeras da equipe em um raio de 20 metros, via conexão Bluetooth.

Sem saberem que o áudio e o vídeo estavam sendo registrados, os PMs forjam uma narrativa para justificar a ação a um superior que chega ao local. Eles alegam que o grupo resistiu e que a vítima segurava um "cabo de madeira".

"Tava armado, caralho. Tava armado."

O porta-voz da Polícia Militar, coronel Emerson Massera, reconheceu a gravidade do conteúdo gravado e classificou a conduta da equipe como ilegal e injustificável.

"Num determinado momento, esse homem já estava rendido quando os policiais efetivaram os disparos, sem nada que os justificasse."

 

Absolvição e recursos

O julgamento que inocentou os atiradores durou três dias. O conselho de sentença reconheceu a autoria dos disparos, mas optou pela absolvição. Outros dois soldados que participaram da ação respondem como colaboradores e aguardam julgamento em um processo desmembrado.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu em inquérito que houve execução. Nenhum armamento foi apreendido com os quatro homens abordados na viela.

A defesa da família de Igor recorreu da decisão. Os advogados argumentam que o veredito dos jurados ignora completamente as provas materiais anexadas aos autos e exigem a anulação do júri para a marcação de um novo julgamento.

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