
Quase três décadas após um dos crimes mais enigmáticos da história da música, o assassinato do rapper Tupac Shakur finalmente chega aos tribunais. A partir da próxima segunda-feira (10), a Justiça de Las Vegas, nos Estados Unidos, inicia a seleção do júri para o julgamento de Duane "Keffe D" Davis, de 63 anos.
Ele é o único acusado pelo ataque a tiros que tirou a vida do artista em 13 de setembro de 1996. Caso seja considerado culpado pelos jurados, o réu pode ser condenado à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
A confissão em livro
A promotoria não acusa Davis de ter puxado o gatilho, mas de ser o mentor e o líder operacional da emboscada. Segundo as investigações, ele estava no banco de trás do Cadillac branco que emparelhou com o veículo de Tupac e teria fornecido a pistola calibre .40 usada pelos atiradores.
As principais evidências contra o acusado foram fornecidas por ele próprio ao longo dos anos. Em entrevistas e no livro de memórias "Compton Street Legend", publicado em 2019, Davis admitiu publicamente estar no carro e ter obtido a arma do crime.
Preso desde setembro de 2023, ele agora alega inocência e afirma que sequer estava no estado de Nevada na noite do crime. A defesa tenta convencer a Justiça de que o livro é uma obra de ficção escrita com propósitos comerciais.
"Estamos dando crédito demais a declarações feitas para fins de entretenimento", argumentou o advogado Michael Sanft.
Guerra de gangues
O juiz responsável pelo caso rejeitou a tese da defesa e autorizou o uso do livro e de uma gravação policial de 2008 como provas materiais. O pano de fundo do assassinato envolve a violenta rivalidade entre as costas Leste e Oeste do rap americano nos anos 1990.
Horas antes do crime, Tupac e membros da comitiva de Suge Knight, chefe da gravadora Death Row Records, haviam agredido Orlando "Baby Lane" Anderson no hotel MGM Grand. Anderson era sobrinho de Davis e um dos homens apontados como ocupantes do Cadillac, mas já é falecido.
O julgamento criminal deve se estender por pelo menos quatro semanas. A expectativa é que testemunhas-chave, como Suge Knight — o motorista sobrevivente que acompanhava a vítima —, além de familiares de Tupac, prestem depoimentos cruciais nos próximos dias.