
Momentos de apreensão e risco marcaram a travessia de um grupo de pescadores que navegava pelo Rio Araguaia na última segunda-feira (12). Surpreendidos por uma tempestade repentina, os ocupantes da embarcação enfrentaram fortes rajadas de vento, ondas agitadas e sequências de descargas elétricas em meio ao leito do rio.
O incidente ocorreu no trecho aquático situado entre o município de Cocalinho (MT) e o distrito de São José dos Bandeirantes, pertencente a Nova Crixás, na região noroeste de Goiás. O grupo havia saído originalmente da cidade de Aruanã com destino ao território mato-grossense quando foi surpreendido pela mudança brusca no tempo.
Registros em vídeo feitos por um dos integrantes do grupo mostram a turbulência enfrentada pela embarcação. Nas imagens, os ocupantes aparecem utilizando coletes salva-vidas enquanto a força do vento forma marolas na superfície do rio e o impacto das águas dificulta a pilotagem do barco.
Um dos ocupantes da embarcação, Bruno Ramos, relatou a apreensão vivenciada durante a tempestade. O avanço da chuva e a incidência de raios sobre a calha do rio forçaram os passageiros a interromper a viagem planejada.
"Caíram muitos raios na água. Fiquei com medo demais. A coisa estava feia no Araguaia", relatou o pescador ao descrever o momento em que decidiram buscar abrigo.
Diante do risco iminente de naufrágio ou de atingimento por raio, a equipe optou por encostar o barco nas margens do Rio Araguaia e aguardar a estabilização do clima.
O impacto visual das ondas e o deslocamento de ar chamaram a atenção de especialistas. De acordo com o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, as estações automáticas mais próximas, localizadas em Aragarças e Cocalzinho, mediram rajadas médias de 35 km/h no período.
Entretanto, o meteorologista pondera que as características locais do Rio Araguaia e a dinâmica das tempestades na calha hídrica apontam para rajadas consideravelmente mais severas no ponto exato da ocorrência.
"Com base na observação das imagens e no comportamento da água, as rajadas de vento podem ter ultrapassado os 50 km/h no trecho em que a embarcação navegava", avaliou André Amorim.
A instabilidade atmosférica que atingiu a calha do Araguaia provocou estragos em municípios vizinhos. A cerca de 200 quilômetros do local onde o barco de pesca foi atingido, o município de Aruanã enfrentou um temporal severo durante a madrugada do mesmo dia.
A tempestade causou a queda de árvores na zona urbana e atingiu o ecossistema local. Na Praça Couto Magalhães, situada na região central da cidade, dezenas de maritacas e periquitos que usavam a copa das árvores como dormitório foram derrubados pelas rajadas de vento ou atingidos por descargas elétricas.
O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para efetuar o recolhimento das aves e prestar auxílio no local. O sargento Caetano descreveu o cenário encontrado pelas equipes de resgate na praça central.
"Encontramos diversas maritacas, tinha periquito também no meio. Uns mortos, outros agonizando. A gente não sabe se foi algum raio, alguma descarga elétrica, ou se foi só a força do vento, porque ventou muito forte aqui na madrugada", explicou o militar.
A operação de socorro às aves mobilizou moradores e equipes de resgate. Os levantamentos no local confirmaram a morte imediata de pelo menos 28 animais no perímetro da praça.
O resgate contabilizou os seguintes números sobre o atendimento à fauna local:
Aves mortas no local: 28 espécimes encontradas sem vida na Praça Couto Magalhães
Aves resgatadas com vida: 18 exemplares recolhidos pelas equipes do Corpo de Bombeiros
Transporte emergencial: Envio dos animais feridos para tratamento veterinário especializado em Goiânia
Sobreviventes após o trajeto: Apenas 7 aves resistiram ao transporte e deram entrada nas unidades de reabilitação
A causa exata das mortes passa por análise técnica das autoridades ambientais, que avaliam se o impacto contra o solo gerado pela quebra dos galhos ou se um raio na estrutura arbórea foi a causa primária da mortandade.