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Corpo de empresária morta após múltiplos procedimentos estéticos é exumado em Goiânia

Justiça autoriza retirada de órgãos para exames periciais que tentam determinar a causa da morte de Andreia Gaspar; caso é investigado como homicídio culposo em Goiânia

Por: Cleyber Carlos
31/08/2026 às 09h20
Corpo de empresária morta após múltiplos procedimentos estéticos é exumado em Goiânia
Corpo de Andreia Gaspar é exumado em Goiânia para perícias (Foto: Reprodução)

O corpo da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, foi exumado no Cemitério Memorial Parque, localizado em Goiânia. A medida atende a uma autorização judicial expedida após solicitação formal da defesa junto ao Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Durante os procedimentos de campo no cemitério, peritos realizaram a retirada de órgãos para exames morfológicos e complementares. Os exames buscam identificar possíveis alterações patológicas ou complicações associadas às intervenções cirúrgicas sofridas pela vítima.

Logo após a extração das amostras biológicas necessárias para a instrução do laudo pericial, o sepultamento foi refeito no próprio local. A irmã da empresária, Djianne Vieira, acompanhou todo o processo e relatou o impacto emocional vivenciado pela família.

"Retiraram os órgãos ali mesmo e depois enterraram novamente. Foi um segundo enterro. Saí a base de medicamentos por ter que reviver uma situação dessa. É uma mistura de raiva, dor, injustiça."

 

Histórico médico e suspeita de infecção

A morte de Andreia Gaspar ocorreu após a realização de uma série de cirurgias plásticas. Segundo relatos da irmã, a empresária havia sido diagnosticada recentemente com a chamada doença do carrapato, mas o quadro infeccioso teria sido desconsiderado para a realização do ato operatório.

A família afirma que, por se sentir clinicamente bem no momento da internação, a equipe médica optou por prosseguir com o agendamento cirúrgico. A defesa questiona a decisão e busca averiguar se o estado pré-operatório contribuiu para o desfecho fatal.

Por outro lado, a direção do Hospital Ankar, unidade de saúde onde os procedimentos foram executados, declarou à família que a causa do óbito foi um infarto decorrente de trombose. Em nota oficial, a instituição hospitalar negou qualquer conduta com negligência ou imperícia médica.

 

A rotina dos procedimentos e complicações no pós-operatório

Andreia foi submetida às intervenções cirúrgicas no dia 11 de agosto. A maratona estética durou quase todo o dia e incluiu uma série de procedimentos simultâneos na região facial e corporal:

  • Ritidoplastia profunda (lifting facial completo);

  • Frontoplastia com redução de testa;

  • Mentoplastia óssea (remodelação do queixo);

  • Blefaroplastia superior (correção das pálpebras);

  • Lipoaspiração e enxertia de gordura no rosto.

Após o término das cirurgias, a paciente foi transferida para um dos quartos da unidade de saúde. Conforme os relatos de Djianne, a empresária apresentava inchaço acentuado na língua e queixava-se de dores intensas contínuas.

Com o passar das horas, o quadro clínico se agravou durante a noite. A acompanhante solicitou atendimento médico imediato, mas relatou que a equipe de enfermagem atribuiu a agitação da paciente ao estado de ansiedade pós-operatória. Na madrugada seguinte, a empresária sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no local.

 

Investigação policial e desdobramentos jurídicos

O advogado que representa os familiares, Fábio Ricardo, enfatizou que os exames periciais no material colhido serão determinantes para estabelecer a linha do tempo e a causa mortis. A análise científica avaliará fatores que antecederam a operação, além de intercorrências trans e pós-operatórias.

O caso está sob responsabilidade da Polícia Civil, que instaurou inquérito policial para apurar a conduta dos profissionais e do estabelecimento. A linha investigativa trabalha com a hipótese de homicídio culposo, modalidade em que não há a intenção explícita de matar, mas investiga-se eventual imprudência ou negligência.

"A nova análise busca esclarecer as circunstâncias da morte, que podem estar relacionadas a diferentes fatores ocorridos antes, durante e após a cirurgia."

 

Vida na Espanha e rotina pessoal

Andreia Gaspar residia há cinco anos no município de Rivas, situado a aproximadamente 20 quilômetros de Madri, na Espanha. Ela morava em um apartamento com o namorado e o filho, de 21 anos.

No país europeu, a empresária atuava no segmento de alimentação saudável, gerenciando um negócio focado na comercialização de frutas e cereais. Parentes a descrevem como uma pessoa regrada, disciplinada e com hábitos alimentares rigorosos.

Possuidora de cidadania espanhola, Andreia havia conseguido recentemente viabilizar um tratamento de alta complexidade para o filho junto ao sistema de saúde daquele país. Ela veio ao Brasil temporariamente para visitar familiares e realizar as cirurgias estéticas.

A última reunião familiar ocorreu no início do mês, durante a comemoração do aniversário da irmã. Djianne relembrou os últimos momentos ao lado de Andreia antes da internação hospitalar.

"Tive a honra de passar meu último aniversário, em 5 de agosto, com ela aqui em casa. Fica a saudade e a lembrança de uma relação muito próxima."

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