
O Corpo de Bombeiros Militar confirmou a morte do cão de busca e salvamento Fênix, um dos animais de maior destaque na história da corporação. O canino faleceu na quarta-feira (2) e deixou um legado marcado por dezenas de operações de resgate em áreas de desastre e desaparecimentos.
Fênix era reconhecido pela alta precisão técnica no trabalho de localização de pessoas vivas e também na busca por restos mortais em cenários críticos. Ele mantinha rotina de treinamentos intensivos e atendimento a ocorrências a partir da base operacional localizada em Goiânia.
A trajetória do animal começou ligada a um contexto de superação. Ele era filho de Vênus, cadela de resgate que atuou nas buscas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. A mãe do animal faleceu durante o parto, e Fênix foi o único filhote da ninhada que conseguiu sobreviver.
Amamentado por uma cadela voluntária, o filhote foi treinado pelo Sargento Wanderley, o mesmo militar responsável pela formação de sua mãe. O nome Fênix foi escolhido pelos bombeiros exatamente como símbolo do seu nascimento após a perda da ninhada.
"A Vênus faleceu durante o parto e os cães precisaram ser amamentados por uma mãe de leite. As duas fêmeas não sobreviveram e o único que resistiu foi o Fênix. Por isso ele ganhou esse nome, porque renasceu das cinzas."
A preparação para o serviço ativo ocorreu de forma precoce. Com apenas oito meses de vida, Fênix já atendia ocorrências reais e obtinha êxito na localização de pessoas desaparecidas em áreas de difícil acesso.
Ao longo da carreira, o cão atuou em buscas rurais, áreas de escombros e locais atingidos por deslizamentos de terra. Uma das missões de maior relevância ocorreu durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.
Na ocasião, Fênix indicou o ponto exato onde uma vítima estava soterrada há mais de uma semana em uma região montanhosa de barranco. As equipes locais já haviam vasculhado a área sem sucesso até a intervenção do cão enviado pela corporação.
"Ela estava soterrada em uma região de barranco. As equipes locais já tinham feito buscas, mas não tinham conseguido localizar. Quando a equipe chegou com os cães, o Fênix indicou o ponto e conseguimos fazer a retirada."
O histórico de mobilizações do animal inclui ainda o apoio nas operações provocadas pelas chuvas em Pernambuco, em 2022, além das buscas por um turista norte-americano que desapareceu na região da Chapada dos Veadeiros.
Integrantes da corporação apontam que o animal mantinha um perfil extremamente equilibrado e um forte vínculo com seu condutor. O desempenho técnico do cão garantiu a localização de dezenas de pessoas e trouxe respostas a famílias durante situações de calamidade pública.
O Corpo de Bombeiros Militar prestou homenagens oficiais ao animal ao comunicar o falecimento, ressaltando que a trajetória de Fênix permanece como referência de dedicação e eficiência nas missões de salvamento do estado.