
O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou que a Fundação Universitária Evangélica (Funev) interrompa imediatamente o uso de furadeiras e perfuradoras de uso doméstico em cirurgias ortopédicas. A prática vinha sendo adotada no Hospital Municipal Alfredo Abrahão (HMAA), localizado em Anápolis.
A medida do órgão controlador atende a relatórios de fiscalização produzidos pela Vigilância Sanitária de Anápolis (Visa). As inspeções constataram que a utilização dos equipamentos de carpintaria e construção civil ocorria de forma reiterada na unidade de saúde.
De acordo com as apurações dos fiscais sanitários, os procedimentos com ferramentas inadequadas eram realizados no centro cirúrgico do hospital desde o ano de 2022.
A Vigilância Sanitária apreendeu 11 furadeiras e classificou o procedimento de alto risco para a integridade dos usuários do sistema público de saúde.
A apuração técnica destacou que ferramentas elétricas projetadas para uso doméstico não possuem estrutura adequada para passar pelos processos operacionais de esterilização hospitalar.
A impossibilidade de higienização completa dos componentes internos das ferramentas aumenta expressivamente as chances de infecções graves e contaminações durante os procedimentos cirúrgicos ortopédicos.
Ao prestar esclarecimentos ao Ministério Público, a direção da Funev confirmou que a unidade médica fazia uso recorrente dos equipamentos domésticos. A gestão alegou que adotava as ferramentas devido ao valor elevado das perfuradoras com certificação médica.
"As furadeiras domésticas não podem ser esterilizadas de forma adequada, o que aumenta expressivamente os riscos de contaminação e infecção aos pacientes."
Durante o trabalho de campo realizado pelos agentes da Vigilância Sanitária, 11 furadeiras foram recolhidas do centro cirúrgico do hospital e devidamente lacradas.
Apesar da intervenção fiscal, o relatório apontou que os lacres de apreensão colocados nos equipamentos foram violados posteriormente para que o maquinário continuasse a ser utilizado pelas equipes médicas.
A conduta de rompimento dos lacres sem autorização dos órgãos de fiscalização sanitária também passou a integrar o conjunto de apurações do Ministério Público.
O Ministério Público concedeu o prazo de dez dias úteis para que a Funev apresente um plano formal de ação e correção dos problemas identificados no hospital municipal.
A administração do hospital tem dez dias úteis para apresentar um plano de correção e um cronograma definitivo que não ultrapasse três meses para a execução total da substituição dos aparelhos por modelos cirúrgicos homologados.
A reportagem buscou contato com a assessoria da Fundação Universitária Evangélica para obter um posicionamento oficial sobre as recomendações do Ministério Público, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.