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Polícia Civil prende 11 suspeitos de agiotagem e extorsão após morte de feirante no DF

Grupo criminoso movimentou R$ 10 milhões em oito meses, aplicava juros de até 20% ao mês e contava com sargento reformado como braço armado

Por: Cleyber Carlos
11/09/2026 às 16h24
Polícia Civil prende 11 suspeitos de agiotagem e extorsão após morte de feirante no DF
Foto: Reprodução

Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A ação policial resultou na prisão de 11 pessoas envolvidas em uma rede que concedia empréstimos com cobrança de juros abusivos de até 20% ao mês e utilizava táticas violentas de intimidação.

A ofensiva mobilizou equipes para o cumprimento de 47 mandados judiciais distribuídos pelo Distrito Federal, Goiás e Tocantins. Ao todo, a Justiça expediu 12 ordens de prisão preventiva, 18 mandados de busca e apreensão e 17 determinações de bloqueio financeiro. Um dos alvos da operação permanece foragido.

 

Sargento da PM e estrutura do grupo

Entre os presos na ação está José Luiz Silva Sá, sargento reformado da Polícia Militar de Goiás. As investigações apontam que o militar atuava diretamente no braço armado da organização criminosa, utilizando armas de fogo para ameaçar e constranger os devedores que atrasavam as parcelas.

A estrutura do grupo era dividida de forma bem definida entre executores, responsáveis por conceder os empréstimos, cobradores e o setor focado em intimidações violentas.

"O sargento reformado integrava o braço armado do grupo e utilizava armas de fogo de grosso calibre para intimidar os devedores que não conseguiam quitar os débitos."

Para ocultar os lucros obtidos com as práticas ilegais, os investigados utilizavam contas bancárias em nome de terceiros, familiares e empresas de fachada. A polícia estima que o grupo tenha movimentado R$ 10 milhões em apenas oito meses.

 

Morte de feirante e ameaças à família

O estopim para o aprofundamento das investigações foi a tragédia enfrentada por um comerciante de 68 anos que atuava na Feira dos Goianos, em Taguatinga. Semianalfabeto, o idoso recorreu aos agiotas para tentar manter o negócio da família, utilizando o celular e contas de parentes para efetuar pagamentos diários.

Submetido a um quadro de extrema pressão psicológica e constrangimento contínuo por não conseguir quitar os juros acumulados, o feirante não resistiu e faleceu em março de 2025.

Mesmo após o falecimento do comerciante, a cobrança ostensiva não cessou. Os criminosos direcionaram a extorsão à filha da vítima, enviando áudios e mensagens com ameaças graves para forçá-la a assumir as dívidas deixadas pelo pai.

 

Ameaças de morte e ostentação

As análises do material apreendido revelaram um acervo de áudios e vídeos produzidos pelos próprios integrantes da quadrilha. Em parte das gravações interceptadas pela polícia, duas mulheres responsáveis pelas cobranças faziam ameaças diretas de morte:

"Vou encher a sua cara de bala. Hoje, eu só saio daqui com o meu dinheiro. Estou te esperando aqui fora", diziam as cobradoras nas gravações enviadas aos devedores.

Em outro arquivo recuperado pela perícia, o investigado Adailton Fernandes de Oliveira aparece sentado em um sofá cercado por montantes expressivos de dinheiro em espécie, debochando da origem dos valores.

Durante o cumprimento das buscas, os agentes apreenderam oito veículos de luxo, 10 armas de fogo, grande quantidade de munições, equipamentos eletrônicos e maços de dinheiro. Os presos responderão por organização criminosa armada, extorsão e lavagem de dinheiro.

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