
O debate sobre a segurança pública e o uso de câmeras corporais por policiais militares esquentou os bastidores da corrida eleitoral em Goiás. O ex-governador e candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) subiu o tom do discurso e fez duras críticas à possibilidade de adotar o monitoramento em fardamentos no estado.
A declaração ocorreu na noite desta terça-feira (15), durante um comício promovido pela base governista no município de Aparecida de Goiânia. A fala foi interpretada como um recado direto ao senador e candidato ao governo de Goiás Wilder Morais (PL).
Sem citar Nominalmente o adversário político, Caiado rechaçou com veemência a utilização dos dispositivos nos agentes de segurança pública. O ex-governador defendeu o modelo atual de atuação das forças policiais goianas.
O pronunciamento foi marcado por termos contundentes e tom inflamado diante da militância presente no evento político.
"Botar câmera nos policiais? Ah, rapaz! Deixa de ser frouxo! Polícia nossa é pra dar segurança pro nosso povo do estado de Goiás. Aqui é pra manter a ordem. Aqui não é bandido que vai mandar em Goiás, não. Aqui não é estado de frouxidão, não. Aqui é na lei, é na ordem, é no respeito ao cidadão, é no respeito ao dinheiro público."
O embate teve início após declarações dadas por Wilder Morais durante entrevista concedida à Rádio Sucesso na última segunda-feira (14). Ao ser questionado sobre o tema, o pré-candidato do PL sinalizou abertura para debater a implementação da tecnologia caso assuma o Palácio das Esmeraldas.
O senador afirmou que pretendia abrir diálogo direto com o comando da corporação militar logo no início de uma eventual gestão.
"O que a nossa corporação entender que é bom para a sociedade e para a segurança pública, nós vamos ter. Como também se decidir não ter, eu também vou ficar com a corporação."
A repercussão negativa no eleitorado conservador fez com que a equipe de campanha de Wilder Morais emitisse um posicionamento oficial de retratação.
Em nota divulgada à imprensa, o candidato buscou conter o desgaste alegando que sua fala foi retirada de contexto e reiterou que é terminantemente contrário ao uso de câmeras corporais no fardamento da Polícia Militar. O comunicado reforçou que a intenção do senador era apenas demonstrar respeito às decisões internas da tropa.