
O cenário político interno do Partido Liberal vive momentos de tensão na reta final do período eleitoral. O candidato à Câmara dos Deputados Fábio Sousa (PL) tornou pública a insatisfação com a direção da própria sigla ao denunciar o não cumprimento de repasses financeiros que teriam sido pactuados para o custeio de suas atividades de campanha.
Mesmo diante do impasse com o fundo partidário e da necessidade de reestruturar sua logística eleitoral às pressas, o postulante fez questão de afastar rumores de rompimento político e confirmou a manutenção do apoio às candidaturas da chapa majoritária do partido.
A crise veio à tona após Fábio Sousa divulgar um vídeo em suas plataformas digitais explicando a escassez de recursos para manter a estrutura de rua e os materiais de divulgação. Na gravação, o candidato relatou que a legenda não honrou a promessa firmada quando ele decidiu permanecer na agremiação para disputar o pleito.
Diante do desfalque orçamentário, o postulante ao Congresso Nacional passou a pedir abertamente a colaboração financeira e o engajamento direto de seus eleitores para dar continuidade à caminhada eleitoral.
"Infelizmente o meu partido não honrou com o compromisso que tinha feito comigo, se eu ficasse no partido e disputasse as eleições por ele, de cobrir as minhas despesas na campanha. Portanto, agora eu tenho que recorrer aos meus amigos e àqueles que acreditam nos nossos projetos, no nosso programa."
A manifestação pública do candidato gerou forte repercussão nos bastidores políticos estaduais. Ao avaliar a projeção que o caso tomou, Fábio Sousa admitiu surpresa com o alcance das declarações, mas manteve a crítica em relação à distribuição dos fundos entre os concorrentes da mesma legenda.
O candidato ponderou que a falta de tratamento isonômico entre os quadros que disputam vagas proporcionais é um equívoco metodológico das siglas, embora tenha classificado a situação como parte das dinâmicas do processo político.
Apesar dos desabafos sobre o caixa da campanha, Sousa fez questão de reafirmar a fidelidade ideológica e o compromisso com os nomes que lideram o projeto do PL no Estado e no âmbito federal.
"Não tinha ideia de que o vídeo teria essa grande repercussão. Entendo que os candidatos não tenham por parte dos partidos isonomia, sobretudo os que estão realmente disputando. Acho um equívoco, mas faz parte do jogo. Por isso recorri aos amigos."
O candidato enfatizou que segue engajado na campanha para o Governo do Estado e declarou apoio irrestrito às candidaturas do partido para o Senado e para a Presidência da República.
"Reitero meu apoio aos candidatos do PL, meu partido. Sou Flávio e Gayer até debaixo d’água. E vou trabalhar para o Wilder também."
Diante das acusações formuladas pelo candidato proporcional, a direção estadual da agremiação foi acionada para prestar esclarecimentos sobre a interrupção dos repasses prometidos.
Em nota oficial encaminhada pela assessoria do presidente estadual do PL e candidato ao governo, Wilder Morais, a legenda justificou que o problema teve origem na esfera nacional da organização partidária.
Segundo o comunicado do partido, a direção nacional do PL deixou de efetuar o pagamento de uma das parcelas previamente acordadas que seria repassada especificamente para o financiamento das candidaturas proporcionais na região. As negociações para a regularização dos fluxos de caixa seguem em andamento interno.