
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) movimentou os bastidores do cenário político ao divulgar publicamente uma lista com as suas indicações formais de voto para o pleito eleitoral de 2026. No entanto, ao citar os nomes prioritários de sua legenda, o parlamentar ignorou a candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao Governo do Estado.
A manifestação ocorreu por meio das redes sociais do deputado mineiro, após a abertura de uma caixa de interação para que seus seguidores solicitassem sugestões de nomes da ala conservadora nos estados.
Ao responder aos questionamentos sobre as alianças e palanques no território goiano, o congressista indicou apoio a diferentes cargos proporcionais e majoritários, mas deixou uma lacuna ao omitir o posto mais alto do Executivo estadual.
"Vocês pediram e a partir dessa semana vou começar a fazer, beleza? Coloca aqui o seu estado e vou colocar quais são os candidatos que nos representam, que me representam, pessoas que eu confio. Para todos os cargos."
Ao especificar os aliados que contam com a sua chancela política no Estado, Nikolas Ferreira enumerou figuras com forte projeção na direita regional. Para as duas vagas em disputa no Senado Federal, o parlamentar recomendou as candidaturas do deputado federal Gustavo Gayer (PL) e de Oséias Varão (PL).
Para a Câmara dos Deputados, a indicação apresentada aos eleitores foi o nome de Sanches da Federal (PL). Já para a disputa pela Presidência da República, a recomendação explícita direcionou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar de cobrir quase toda a chapa majoritária e proporcional da sigla na região, o deputado não fez qualquer menção ao nome de Wilder Morais, que preside o diretório estadual da agremiação e encabeça o projeto ao governo.
A omissão pública do congressista reflete o clima de divisão interna que atinge o Partido Liberal durante a montagem das bases regionais. Nos bastidores partidários, interlocutores da ala mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam que Wilder Morais enfrenta resistência por não ser visto como um bolsonarista de perfil 'raiz'.
Essa desconfiança ideológica tem gerado atritos recorrentes com lideranças locais e regionais, enfraquecendo a consolidação de um palanque único no Estado.
O desgaste com o comando da sigla não se restringe às figuras nacionais. O prefeito do município de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), também protagonizou desentendimentos públicos com a direção estadual ao tomar decisões divergentes sobre o palanque ao governo.
O gestor anapolino declarou apoio formal a Gustavo Gayer para o Senado, a Major Vitor Hugo (PL) para a Câmara dos Deputados e a Flávio Bolsonaro no cenário nacional. Contudo, na corrida ao governo estadual, optou por caminhar ao lado da candidatura de Daniel Vilela (MDB).
"Sabor direita."
A decisão de apoiar um nome externo à legenda motivou a abertura de um processo ético-disciplinar contra o prefeito por parte da executiva do PL, gerando trocas de farpas públicas entre o gestor e a cúpula liderada por Wilder Morais. O desdobramento escancara a pulverização de apoios dentro do próprio partido na reta final da organização eleitoral.