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Justiça Eleitoral determina recolhimento de materiais de campanha de Wilder Morais com imagem de Jair Bolsonaro em Goiânia

Magistrado acolheu denúncia apresentada pelo aplicativo Pardal e proibiu o candidato do PL ao governo estadual de veicular a imagem do ex-presidente em peças publicitárias

Por: Cleyber Carlos
23/09/2026 às 09h24
Justiça Eleitoral determina recolhimento de materiais de campanha de Wilder Morais com imagem de Jair Bolsonaro em Goiânia
Justiça manda Wilder recolher banners com Bolsonaro (Foto: Reprodução)

A Justiça Eleitoral de Goiás determinou que a campanha do candidato ao governo do estado, Wilder Morais (PL), recolha imediatamente todos os materiais publicitários do tipo wind banner que contenham a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão proferida pelo juiz Aldo Guilherme Saad Sabino de Freitas, da 135ª Zona Eleitoral de Goiânia, proíbe ainda novas produções com a figura do ex-mandatário.

A deliberação judicial foi motivada por uma denúncia formalizada por meio do aplicativo Pardal, ferramenta oficial de fiscalização da Justiça Eleitoral. O caso registrado pela fiscalização ocorreu na interseção da Avenida República do Líbano com a Rua João de Abreu, no Setor Oeste, em Goiânia.

No local apontado na representação, agentes identificaram a exposição de um wind banner com fotos do candidato Wilder Morais e de sua candidata a vice-governadora, Ana Paula Rezende. A peça trazia também as imagens de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro, postulante à Presidência da República, acompanhada da legenda: "Presidente Flávio Bolsonaro, Vice Alfredo Gaspar".

 

Fundamentação jurídica e inelegibilidade

Ao analisar a representação, o magistrado ressaltou que a legislação eleitoral vigente não veda de forma genérica a utilização de fotos de apoiadores que não disputam o pleito. No entanto, o juiz destacou a peculiaridade jurídica que envolve a figura do ex-presidente da República no atual cenário eleitoral.

O magistrado destacou que a proibição fundamenta-se na situação de suspensão dos direitos políticos de Jair Bolsonaro, medida decorrente de decisões do Tribunal Superior Eleitoral e de desdobramentos de ações judiciais no Supremo Tribunal Federal.

"A legislação não proíbe o uso da imagem de pessoa não candidata. Porém, no caso em tela, o que se discute é o uso da imagem do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que está com seus direitos políticos suspensos, em propaganda eleitoral de candidatos ao pleito de 2026", destacou o juiz.

 

Alinhamento com jurisprudência do TSE

A decisão da 135ª Zona Eleitoral alinhou-se aos entendimentos recentes fixados pela instância superior da Justiça Eleitoral. O magistrado citou decisão liminar da ministra do TSE, Estela Aranha, que barrou veiculações semelhantes em materiais impressos e digitais pelo país.

Com base nesse entendimento, o juiz estabeleceu medidas cautelares imediatas para a adequação da campanha do Partido Liberal na capital. A decisão impõe prazos para o cumprimento e comprovação das determinações nos autos:

  1. Abstenção imediata: Proibição de produzir, veicular ou distribuir qualquer modalidade de propaganda eleitoral com a imagem de Jair Bolsonaro

  2. Recolhimento de peças: Retirada completa dos wind banners e estruturas físicas já dispostas em vias públicas de Goiânia

  3. Comprovação nos autos: Apresentação de relatórios que confirmem o recolhimento das peças irregulares sob pena de multas

 

Reação do partido e recursos cabíveis

A decisão provocou reação imediata por parte do candidato e da direção estadual do Partido Liberal. Em posicionamento oficial, Wilder Morais criticou a medida e atribuiu a representação judicial a articulações de adversários políticos.

O candidato alega que a medida busca criar ruídos na comunicação com o eleitorado conservador do estado, defendendo a legalidade do uso de apoiadores de relevância nacional em sua propaganda de rua.

"O PT deve estar em acordo com o MDB para tentar confundir o eleitor. Nessa eleição há três candidaturas do campo da esquerda e apenas uma da direita, que é a do PL", afirmou Wilder Morais.

A assessoria jurídica do candidato informou que protocolará recurso contra a decisão interlocutória junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, buscando reverter a proibição das peças antes da reta final da campanha.

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