
O empresário e dirigente partidário Leonardo Avalanche, natural de Anápolis e presidente nacional do PRTB, anunciou oficialmente nesta quinta-feira (1º) a desistência de sua candidatura à Presidência da República. A declaração de renúncia foi divulgada por meio de uma nota publicada em suas redes sociais, onde o político alegou razões de ordem técnica, jurídica e pessoal para abandonar a disputa às vésperas do pleito.
Em seu posicionamento público, o empresário goiano deixou claro que manterá uma postura de neutralidade no cenário nacional e que não pretende declarar voto ou compor aliança com nenhum dos concorrentes que seguem no páreo. Segundo ele, nenhum dos postulantes atuais representa as diretrizes do seu grupo político.
"Renuncio à candidatura por motivos técnicos, jurídicos e pessoais. Não apoiarei nenhum candidato por entender que nenhum deles representa nosso projeto." — Leonardo Avalanche, em nota oficial divulgada em suas redes sociais
Embora não tenha citado nomes diretamente em seu comunicado, o presidente do PRTB dedicou parte da nota para direcionar duras críticas a um adversário do campo da direita, a quem se referiu como um "cidadão da pseudodireita". No texto, Avalanche associou esse candidato a denúncias de corrupção, esquemas de rachadinha e desdobramentos ligados às apurações do Banco Master.
A manifestação faz alusão indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que figura entre os líderes das pesquisas de intenção de voto. O dirigente do PRTB afirmou ainda que a maior parte do núcleo de campanha desse concorrente possui ligação direta ou indireta com as apurações financeiras citadas.
A nota oficial traz um indicativo sobre os próximos passos políticos do dirigente partidário, encerrando a mensagem com a frase "2028 é logo ali", em referência ao próximo pleito para prefeituras e Câmaras Municipais.
Esta seria a estreia de Leonardo Avalanche em uma disputa para cargos eletivos. O empresário assumiu o comando nacional do Partido Renovador Trabalhista Efetivo (PRTB) em fevereiro de 2024, período em que atuou como um dos articuladores da campanha do influenciador Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo.
O projeto inicial da sigla previa o lançamento do próprio Marçal como candidato do partido ao Palácio do Planalto em 2026. No entanto, o plano foi abortado após o influenciador ter sua inelegibilidade decretada pela Justiça Eleitoral em decorrência de condenações por irregularidades cometidas no pleito municipal anterior.
A trajetória de Avalanche na presidência da legenda também foi marcada por controvérsias. Durante a campanha de 2024, gravações divulgadas pela imprensa expuseram áudios nos quais o dirigente mencionava interlocução com integrantes de facções criminosas e atribuía a si a libertação do chefe narcotraficante André do Rap. O empresário sempre negou qualquer ligação com organizações ilícitas.
Apesar do anúncio público de desistência, o nome e a foto de Leonardo Avalanche permanecerão registrados nas urnas eletrônicas na votação deste domingo (4). Isso ocorre devido aos prazos estipulados pelo Código Eleitoral e pelas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A legislação eleitoral estabelece que partidos e coligações têm até dez dias após a vacância para solicitar a substituição de um candidato, desde que o pedido seja formalizado até 20 dias antes do pleito — prazo encerrado em 14 de setembro. A única exceção legal para alteração na chapa após essa data é o falecimento do postulante.
Para que a renúncia surta efeito jurídico definitivo, o candidato precisa protocolar um documento oficial datado e assinado perante a Justiça Eleitoral para posterior homologação. Caso a desistência seja homologada pelo juízo competente, a candidatura passará ao status de "inapta", e os eventuais votos depositados em seu número serão computados como nulos.