
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) classificou como "inaceitável" a decisão da TV Globo de cancelar o debate presidencial programado para a noite desta quinta-feira (1º). O anúncio do cancelamento ocorreu poucas horas antes do início da transmissão, quando o político já se encontrava nas dependências da emissora de televisão aguardando o início do confronto entre os postulantes ao Palácio do Planalto.
Em manifestações divulgadas por meio de vídeos em suas redes sociais e em nota oficial enviada à imprensa, o candidato ressaltou o impacto direto da medida sobre o eleitorado, que perdeu a última oportunidade de confrontar propostas e ideias a dois dias da votação do primeiro turno.
"Estamos a dois dias da eleição e, agora, acabam de cancelar o debate. Inimaginável, inaceitável. Estou aqui, desde as 18h30, esperando por um debate que iria começar às 22h30. Veja o desrespeito com você, eleitor, que está aguardando propostas." — Ronaldo Caiado, em vídeo gravado nos estúdios da emissora
Ao analisar as causas do cancelamento, Ronaldo Caiado responsabilizou diretamente as recentes decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato atribuiu ainda parcela de culpa ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que a recusa do petista em comparecer ao evento atuou como estopim para a crise institucional no formato do programa.
Segundo o postulante do PSD, o encontro televiso seria o espaço ideal para apresentar as entregas e a gestão realizadas no estado de Goiás, projetando tais diretrizes em âmbito nacional. Em sua nota de repúdio, o político subiu o tom contra as instâncias superiores do Judiciário brasileiro.
"O que a Justiça do nosso país fez hoje representa, nada mais, nada menos, que a destruição do processo eleitoral no país. É um flerte perigoso com o enfraquecimento das nossas instituições. Parecem desejar chegar a uma ditadura da toga." — Trecho da nota oficial divulgada pela campanha de Ronaldo Caiado
O candidato acrescentou ainda que a conduta do atual mandatário do país visou inviabilizar o confronto direto de ideias durante a corrida eleitoral, afirmando que o presidente "atuou desde o começo da campanha para interditar o debate".
A decisão da TV Globo de cancelar a transmissão ocorreu após uma sucessão de determinações judiciais que alteraram a dinâmica previamente combinada entre a emissora e as campanhas dos candidatos. Entre as resoluções, a Justiça Eleitoral proibiu a exibição do púlpito vazio que seria reservado a Lula, além de vetar questionamentos diretos direcionados ao presidente ausente pelos demais participantes.
Simultaneamente, uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão imediata do candidato Renan Santos (Missão) na bancada do evento. Em nota pública, a direção da emissora explicou que as mudanças impostas a poucas horas do programa quebraram os acertos prévios e geraram um quadro de insegurança jurídica irreversível para a realização do debate.
O cenário de inviabilidade se consolidou após o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anunciar que não participaria do encontro sob as novas regras impostas. O senador justificou a desistência classificando as decisões dos tribunais superiores como atos de "censura e interferência judicial", acusando a candidatura governista de instrumentalizar o Judiciário.
Enquanto o debate da TV Globo era suspenso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpria agenda em uma entrevista ao vivo no podcast Flow. A sucessão de eventos na reta final da campanha alterou drasticamente as estratégias das candidaturas na véspera da abertura das urnas em todo o país.