
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) terá a partir do próximo mandato a parlamentar mais votada do estado no pleito deste ano. Trata-se de Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, que conquistou a marca histórica de 1,95 milhão de votos (8,39% dos votos válidos) na eleição disputada no último domingo (4).
A projeção política de Campopiano começou a ser construída na internet antes de chegar aos cargos eletivos. A jovem começou a produzir conteúdo político nas redes aos 18 anos e, aos 19, tornou-se comentarista dos veículos Jovem Pan e Fio Diário. Suas posições alinhadas à direita conservadora e declarações de alto impacto impulsionaram sua trajetória eleitoral em um curto intervalo de tempo.
Nascida em Campinas em 22 de julho de 2003, a nova deputada estadual ingressou na política institucional em 2024. Na ocasião, foi eleita vereadora pelo município de Praia Grande, no litoral paulista, ao obter aproximadamente 3,6 mil votos. O resultado a consagrou como a parlamentar mais jovem a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal daquela cidade, além de ser a mulher mais votada da história do Legislativo local.
A ascensão da parlamentar foi acompanhada por episódios de forte controvérsia. Um dos casos de maior repercussão ocorreu em maio deste ano, durante sua participação no podcast RedCast. Na ocasião, Campopiano declarou agradecer a Deus pela colonização portuguesa e pela catequização dos povos nativos no Brasil.
Durante a mesma entrevista, a então vereadora associou os povos indígenas anteriores ao período da colonização a costumes como o canibalismo e o sepultamento de crianças vivas. A declaração gerou reações imediatas de movimentos sociais e ativistas.
"A artista e ativista indígena Katú Mirim registrou um boletim de ocorrência acusando a parlamentar de racismo após as declarações sobre a colonização."
Procurada para se manifestar sobre a denúncia apresentada à Polícia Civil, a deputada estadual eleita não foi localizada pela reportagem para comentar as acusações.
O combate aberto às pautas progressistas forma a base da atuação pública de Campopiano. A própria parlamentar se define em seus perfis na internet como a "inimiga número um das feministas". Logo após a apuração dos votos, ela declarou que pretende transformar a oposição ao movimento feminista em uma das diretrizes centrais do seu trabalho na Assembleia Legislativa.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (5), a deputada eleita sustentou que o feminismo é uma ideologia de esquerda e argumentou que as conquistas das mulheres decorrem do mérito individual. Em relação à interrupção da gravidez, manifestou oposição irrestrita, inclusive em hipóteses previstas em lei. Seu objetivo declarado é atuar para tornar a prática "impensável", propondo o fortalecimento de redes de apoio a gestantes e o estímulo à entrega legal para adoção.
As divergências em relação à legislação atual estendem-se à tipificação penal do feminicídio. Campopiano defende a revogação do enquadramento específico, argumentando que assassinatos de mulheres cometidos por companheiros deveriam voltar a ser classificados como crimes passionais vinculados ao sentimento de posse.
A parlamentar afirma que o enfrentamento à violência contra a mulher deve ocorrer pelo aumento geral das penas aplicadas aos criminosos e pela ampliação do acesso às armas de fogo. Para a deputada, o porte de arma por mulheres amplia a capacidade individual de defesa contra agressões. A futura deputada estadual também se posiciona expressamente contra políticas de cotas raciais e rejeita qualquer iniciativa voltada ao reconhecimento da prostituição como atividade profissional.
O desempenho eleitoral de Campopiano esteve diretamente conectado a um grupo de lideranças de projeção nacional na direita. Durante a campanha, atuou em dobradinha com o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL), que também obteve êxito e foi eleito para a Câmara dos Deputados.
A candidatura de Campopiano contou ainda com o respaldo público do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que a incluiu em um grupo selecionado de nomes conservadores promovidos pelo país. A jovem também alinhou seu discurso aos palanques de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, e de Guilherme Derrite, postulante ao Senado.
A expressiva votação conquistada pela ex-vereadora de Praia Grande foi determinante para impulsionar a legenda do PL no estado. O partido garantiu a eleição de 27 deputados estaduais, assegurando a manutenção da maior bancada da Assembleia Legislativa paulista. Ao projetar o início do mandato em 2027, Campopiano afirmou que manterá a mesma postura adotada nas redes, atribuindo seu resultado nas urnas à disposição de defender suas ideias sem recuos.