
Um ataque cibernético de grandes proporções resultou no desvio de quase R$ 4 milhões de contas bancárias pertencentes à Prefeitura de Mozarlândia, município localizado na região Norte de Goiás. A gestão municipal informou que as transferências financeiras foram realizadas sem qualquer tipo de autorização dos gestores ou operadores oficiais do sistema.
A invasão aos sistemas financeiros foi percebida pelas equipes de tesouraria da administração durante a rotina de conferência de saldos. Os servidores identificaram movimentações atípicas e de alto valor que não correspondiam a nenhum pagamento, fornecimento de serviço ou liquidação agendada pela prefeitura.
Assim que as operações não autorizadas foram confirmadas, a Prefeitura de Mozarlândia acionou de forma imediata a instituição financeira responsável pelas contas públicas, o Banco do Brasil. A instituição financeira agiu rapidamente e conseguiu efetuar o bloqueio de parte dos recursos transferidos ilegalmente.
A expectativa do município é garantir o estorno e a recuperação de ao menos uma parcela do montante debitado. Até o momento, as autoridades não divulgaram o valor exato que permaneceu retido pelo banco, nem a quantidade de contas bancárias que receberam as quantias desviadas.
Diante do impacto nas finanças públicas, a gestão municipal formalizou a denúncia perante o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) e a Câmara Municipal de Mozarlândia.
"As movimentações não foram realizadas pela equipe do município. Acionamos o banco e os órgãos competentes imediatamente para rastrear o dinheiro e punir os responsáveis", informaram os representantes da administração pública.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil do Estado de Goiás, que instaurou um inquérito para apurar a autoria do crime e as táticas utilizadas pelos invasores. Os investigadores trabalham para identificar se houve uso de softwares maliciosos, captura de credenciais de acesso de servidores ou invasão direta aos servidores locais.
A equipe policial especializada também busca rastrear o destino final das transferências para identificar os titulares das contas beneficiadas e verificar se foram utilizadas contas de passagem ou de terceiros para pulverizar o montante roubado.
O caso permanece sob investigação rigorosa e, até o momento, ninguém foi preso ou formalmente identificado como autor do ataque cibernético.
O episódio registrado em Mozarlândia volta a acender o alerta sobre a vulnerabilidade digital de órgãos públicos municipais em Goiás. Em julho deste ano, a Prefeitura de Morrinhos, na região Sul do estado, também foi alvo de ação hacker que resultou na alteração de sua página oficial com mensagens e ameaças direcionadas a autoridades políticas.
À época, um levantamento revelou que a mesma vulnerabilidade afetou os portais das prefeituras de Turvelândia, São Simão, Santa Rita do Araguaia, Aruanã, Barro Alto, Aurilândia, Palmeiras de Goiás, Planaltina de Goiás e Perolândia. Em Caldas Novas, os sites das secretarias de Educação e Meio Ambiente também chegaram a sair do ar temporariamente.
Todos os episódios de invasão técnica a sites e sistemas municipais registrados no estado seguem sob apuração da Polícia Civil para identificar se há atuação de uma rede organizada de cibercriminosos.