
O governo de Goiás oficializou, na manhã desta quarta-feira (21), o lançamento da operação integrada Vis Civitatis na cidade de Anápolis, localizada na região central do estado. A mobilização ostensiva reúne 250 agentes de elite das polícias Civil e Militar para intensificar o combate direto ao crime organizado e neutralizar a atuação de grupos faccionados na zona urbana e rural do município.
A resposta policial de grande porte ocorre exatamente três dias após o assassinato a tiros de um casal de empresários no município. A ação emergencial de patrulhamento e checagem de alvos prioritários foi estruturada para atuar continuadamente nas ruas até a madrugada de sábado (24), com uma breve pausa no domingo (25) motivada pelas restrições da legislação eleitoral, sendo retomada logo em seguida de forma indeterminada.
Durante a solenidade oficial de lançamento da força-tarefa, o governador Daniel Vilela enfatizou a determinação do Executivo estadual em reprimir avanços criminosos e assegurar a ordem pública no território goiano.
"É uma operação integrada das nossas forças de segurança, que estarão aqui ao longo dos próximos quatro dias atuando no combate à criminalidade, garantindo a tranquilidade das pessoas de bem e demonstrando que aqui em Goiás impera a força do estado, nenhuma facção controla palmo nenhum de terra nesse estado."
O plano de ação da operação Vis Civitatis abrange patrulhamento tático avançado, bloqueios viários estratégicos, checagem de mandados abertos e inteligência focada na captura de foragidos da Justiça. Para sustentar a ofensiva, o Estado convocou grupamentos especializados de ambas as corporações.
A Polícia Civil atua em campo com equipes do Grupo Tático 3 (GT3), unidade de elite voltada para operações de alto risco, além de equipes de divisões territoriais e especializadas. Já a Polícia Militar reforçou o efetivo local enviando batalhões do Comando de Missões Especiais (CME).
O Poder Executivo também apresentou dados atualizados sobre os indicadores estaduais de criminalidade violenta, destacando uma redução consolidade de 82% nos casos de latrocínio (roubo seguido de morte) e queda de 62% nos índices de homicídios dolosos em Goiás.
A megaoperação militar e civil foi desencadeada após o duplo homicídio de Hiago Almeida dos Santos e Ana Carolina Maia, ocorrido no início da semana. O casal estava em frente à distribuidora de bebidas da qual era proprietário — estabelecimento inaugurado há apenas quatro meses — quando foi surpreendido por dois suspeitos em uma motocicleta, que efetuaram diversos disparos de arma de fogo e fugiram.
A apuração sobre a autoria e a motivação do atentado está a cargo do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Anápolis. Durante as diligências iniciais realizadas logo após o crime, dois homens chegaram a ser detidos por equipes policiais sob a suspeita de envolvimento na execução.
Entretanto, durante a audiência de custódia realizada no dia 19 de outubro de 2026, a 3ª Vara Criminal da Comarca de Anápolis optou por não homologar o auto de prisão em flagrante, concedendo a soltura imediata dos dois detidos.
A decisão do magistrado fundamentou-se na ausência dos requisitos legais que caracterizam a prisão em flagrante. Segundo os autos, a abordagem aos suspeitos ocorreu cerca de sete horas após o homicídio, em um município vizinho, sem que houvesse perseguição ininterrupta ou a apreensão de armas e objetos relacionados ao crime com os abordados.
Além disso, a Justiça apontou indícios de irregularidades nos procedimentos operacionais, incluindo entradas em imóveis urbano e rural sem o devido mandado judicial e relatos de confissões informais colhidas em locais ermos, sem a presença de testemunhas civis. Diante desses elementos, o Juízo determinou a remessa formal de cópias do processo ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Militar para apuração das condutas policiais.
Em nota oficial, a defesa dos investigados, representada pelos advogados Thaynara Oliveira e Kalleb Reis, destacou que o relaxamento da prisão atende aos princípios constitucionais do devido processo legal e reiterou que as investigações continuam.
"A defesa compreende a comoção causada pelo caso e se solidariza com as famílias das vítimas, que merecem uma resposta séria. Justamente por isso, entende que essa resposta precisa vir de uma investigação feita dentro da lei. O relaxamento da prisão não encerra a apuração, que continua."