
Uma operação conjunta deflagrada na manhã desta terça-feira (11) prendeu três vereadores da Câmara Municipal de Sobral (CE). A apuração aponta que os parlamentares pagavam valores financeiros a uma facção criminosa para conseguir realizar atos de campanha em bairros dominados pelo grupo.
A Operação Omertá cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral. Além dos três parlamentares, outras quatro pessoas foram presas, incluindo uma policial militar que atuava no policiamento ostensivo e é casada com um dos chefes da organização criminosa.
A Justiça determinou também o afastamento cautelar dos vereadores de seus cargos públicos pelo período inicial de 180 dias.
Cobrança por acesso a bairros
Segundo as investigações conduzidas pelas autoridades policiais e eleitorais, a facção cobrava uma espécie de "taxa de acesso" dos políticos. Os valores cobrados variavam conforme a relevância do candidato na disputa.
"Os indícios apontam que o 'pedágio' cobrado era de R$ 30 mil para candidatos que não tínhamos mandato e de R$ 60 mil para candidatos que já tinham mandato."
As autoridades detalharam que o grupo criminoso tentava coagir os moradores e manipular as escolhas políticas locais. Além do pleito municipal de 2024, o inquérito identificou ameaças diretas a eventos políticos previstos para a disputa estadual de 2026.
Quem são os parlamentares investigados
Os parlamentares detidos durante a ação ostensiva possuem histórico de atuação política e mandato ativo no município do interior cearense:
Carlos do Calisto (PSB): Vereador mais votado nas eleições de 2024 com 4.176 votos. Já cumpriu outros mandatos e atuou como secretário municipal de Conservação.
Junim do Povo (Pode): Reeleito para o segundo mandato consecutivo na Câmara de Sobral.
Mário Vicktor (União Brasil): Advogado de 27 anos, preside a Comissão de Redação e Justiça da Casa e também cumpre seu segundo mandato.
Atuação da força-tarefa
A ofensiva foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), com apoio do Ministério Público Eleitoral e do Grupo Auxiliar Eleitoral.
Ao todo, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e 25 ordens de busca e apreensão pela 3ª Zona Eleitoral. O inquérito segue sob segredo de justiça para o aprofundamento das investigações.