
Uma corrente contínua de solidariedade, fé e trabalho comunitário vem transformando o cenário habitacional e social de diversas comunidades vulneráveis na capital goiana e em municípios vizinhos. Integrada por mais de 75 participantes ativos, a Pastoral da Moradia, iniciativa vinculada à Paróquia Santo Inácio de Loyola, em Goiânia, alcançou a marca histórica de mais de 200 residências erguidas e entregues a famílias de baixa renda.
O projeto teve início oficialmente no mês de abril de 2002, concebido de forma modesta por apenas seis casais que haviam integrado as atividades do Encontro de Casais com Cristo (ECC). Movidos pelo propósito de converter preceitos religiosos em ações sociais pragmáticas e duradouras, os fundadores decidiram criar uma estrutura capaz de erguer moradias para pessoas desprovidas de recursos financeiros para bancar uma construção.
Atualmente, o grupo reúne uma equipe multidisciplinar que engloba pedreiros, mestres de obras, eletricistas e ajudantes gerais de variadas faixas etárias. Segundo dados do catálogo oficial mantido pela organização católica, o projeto está prestes a concluir a casa de número 227 no estado de Goiás.
A primeira edificação catalogada pela pastoral foi entregue a Luiz Prudêncio de Lima, no município de Senador Canedo, no início das atividades da entidade em 2002. Ao longo de mais de duas décadas de atuação ininterrupta, centenas de outras histórias foram consolidadas, a exemplo dos imóveis recentemente repassados a Vanissa Silva da Conceição, no Setor Top do Lago, em Senador Canedo, e a Nilva Carvalho, no município de Aparecida de Goiânia.
"Cada casa é uma história, cada casa é uma dor, cada casa é um milagre, cada casa tem uma vitória diferente. Todas as casas são muito especiais para a Pastoral da Moradia e muitas histórias que nos edificam e nos fazem manter firmes nesse trabalho voluntário." — Silvio Araújo, vice-presidente e voluntário da Pastoral da Moradia.
Para receber o benefício da construção gratuita, as famílias passam por um processo detalhado de triagem socioeconômica e documental. As indicações chegam por meio de moradores locais, ex-beneficiários, fiéis da paróquia ou pelas plataformas digitais da entidade. Equipes de fiscalização realizam visitas técnicas in loco para averiguar o nível de vulnerabilidade antes de submeter o relatório à votação decisiva em assembleia.
Entre as exigências fundamentais estabelecidas pela coordenação, está a comprovação legal de posse ou propriedade do terreno onde a obra será erguida. A pastoral não efetua a doação do lote, atuando exclusivamente na execução da moradia em áreas já pertencentes aos cadastrados, inclusive em terrenos sob regime de parcelamento junto a imobiliárias. Para mitigar o risco de inadimplência e perda do imóvel pós-construção, exige-se a quitação comprovada de no mínimo dez parcelas do financiamento do lote.
O custo médio estimado para a edificação de cada unidade habitacional gira atualmente em torno de R$ 45 mil. O montante financeiro e a matéria-prima são arrecadados mediante doações diretas de pessoas físicas, empresários e campanhas intensivas promovidas nas redes sociais e celebrações religiosas.
A lista padrão de insumos necessários para viabilizar um imóvel padrão inclui:
Tijolos: 2,5 mil unidades de tijolos furados e 200 tijolos comuns
Insumos básicos: 1 m³ de brita zero, 8 m³ de areia média e 30 sacos de cimento
Cobertura: 16 telhas de fibrocimento de 3,66 metros e 8 cumeeiras
Aberturas e acabamento: 4 portas de 80 cm, 1 porta de 60 cm, 4 janelas de 1,20 m, 1 janela para banheiro, kit sanitário completo, pia de cozinha e 5 latas de tinta branca
A execução física da residência desdobra-se em três fases bem definidas, estendendo-se por um período médio de três semanas. A etapa inicial compreende a escavação e concretagem da fundação e do alicerce, realizada em um sábado por grupos de apoio. No sábado subsequente, é promovido o mutirão principal de alvenaria, mobilizando de 35 a 50 voluntários simultaneamente.
Nessa força-tarefa, que começa pontualmente às 7h, a estrutura das paredes é erguida e o telhado é instalado, permitindo que o imóvel esteja devidamente coberto até por volta das 13h. A fase derradeira concentra os serviços técnicos de acabamento, englobando instalações elétricas, assentamento de pisos cerâmicos e montagem das louças sanitárias, etapa operada por profissionais especializados contratados ou voluntários do setor.
Para o exercício de 2026, a liderança da Pastoral da Moradia fixou a meta de erguer 12 residências, mantendo o ritmo constante de uma entrega por mês. No ano anterior, a escassez de doações financeiras limitou a produção a nove moradias concluídas.
Além dos desafios orçamentários, a entidade enfrenta um gargalo geracional no tocante à renovação de seus quadros operacionais. A maioria dos colaboradores ativos é composta por pessoas com idades entre 50 e 60 anos, contando inclusive com participantes com até 78 anos de idade.
A captação de voluntários jovens para as etapas de esforço físico pesado permanece como a principal barreira para assegurar a perenidade dos mutirões no longo prazo.
Doações financeiras podem ser repassadas via PIX oficial ([email protected]) ou entregues em fraldas, móveis, alimentos e materiais diretamente na Paróquia Santo Inácio de Loyola.