
Uma forte turbulência política atingiu os bastidores do Partido dos Trabalhadores em Goiás nesta quinta-feira (15). A deputada federal reeleita e atual presidente do diretório estadual da legenda, Adriana Accorsi, fez um duro pronunciamento público contra o que classificou como "velha guarda" do PT no estado.
Sem citar nomes diretamente, a dirigente expôs tentativas contínuas de um grupo político interno para desgastar sua gestão e desestabilizar seu comando à frente da sigla. A parlamentar afirmou que os opositores internos tentam tirá-la da presidência por incômodo com a sua liderança feminina e pela projeção conquistada nas urnas.
A reação pública ocorre após meses de articulações nos bastidores do partido. Segundo interlocutores do PT em Goiás, a parlamentar decidiu romper o silêncio após sucessivas manobras que tentaram inviabilizar até mesmo a sua candidatura à reeleição no pleito deste ano, em uma tentativa de favorecer outros nomes da legenda.
Em manifestação oficial, Adriana Accorsi destacou que as manobras promovidas pela ala tradicional da sigla configuram um desrespeito direto à sua trajetória e ao resultado do processo democrático interno e das urnas. A deputada ressaltou ter sido eleita para a presidência do PT-GO com o apoio de 95% dos filiados no último processo diretivo.
A parlamentar também relembrou o feito histórico alcançado nas últimas eleições, quando se consagrou como a parlamentar de esquerda mais votada da história de Goiás para a Câmara dos Deputados, contabilizando 177.103 votos — o segundo maior sufrágio geral do estado.
"Mais uma vez, tenho de anunciar que um grupo da velha guarda do meu partido, que já tentou me forçar a desistir da reeleição a deputada federal, permanece incomodado com a liderança feminina e se movimenta para me tirar da direção do partido. Minha resposta para eles, mais uma vez, é simples: não." — Adriana Accorsi, deputada federal e presidente do PT Goiás.
Para rebater as críticas da ala dissidente sobre a sua condução política, Adriana Accorsi apresentou um balanço detalhado do desempenho eleitoral da legenda entre os anos de 2022 e 2026. Segundo os números expostos pela dirigente, o PT registrou avanço em todas as disputas proporcionais e majoritárias no estado sob o seu comando.
No cenário para o Governo de Goiás, o candidato da sigla obteve um crescimento de 46% na votação em relação ao pleito do Executivo estadual em 2022. Na disputa pela Câmara dos Deputados, a votação total da legenda registrou uma alta de 30%, garantindo a manutenção de duas cadeiras na bancada federal.
A votação de Adriana Accorsi saltou de 96.714 para 177.103 votos, representando um salto de 83% em seu desempenho individual. Já o deputado federal Rubens Otoni ampliou seu eleitorado de 83.539 para 101.902 votos na disputa pela recondução ao cargo.
Na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o partido ampliou sua bancada de três para quatro parlamentares. A lista de eleitos conta com Fabrício Rosa, Antônio Gomide, Kátia Maria e Bia de Lima. O destaque ficou por conta de Fabrício Rosa, que subiu de 20.432 para 81.540 votos, tornando-se o segundo deputado estadual mais votado do estado.
Diante do racha exposto, a presidente do PT-GO anunciou uma reorganização em sua base de apoio com o lançamento da tendência interna batizada de Força Popular. O agrupamento buscará canalizar a participação de movimentos sociais, correntes sindicais e da juventude progressista goiana.
A dirigente enfatizou que a nova vertente seguirá alinhada ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na defesa das pautas da classe trabalhadora, com foco central no combate ao conservadorismo e na garantia dos direitos das mulheres.
Câmara dos Deputados (Bancada Total): Crescimento de 30% nos votos
Assembleia Legislativa (Bancada Total): Crescimento de 45% nos votos (de 3 para 4 cadeiras)
Adriana Accorsi (Federal): De 96.714 para 177.103 votos (+83%)
Rubens Otoni (Federal): De 83.539 para 101.902 votos
Fabrício Rosa (Estadual): De 20.432 para 81.540 votos (2º mais votado na Alego)