
Mesmo com o anúncio de voto favorável ao fim da jornada 6x1 feito pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), a cúpula do Partido Liberal já movimenta bastidores em Brasília para construir uma alternativa legal ao texto. A intenção da legenda é aprovar uma nova regulamentação de trabalho flexível para sobrepor a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) caso o parlamentar vença a disputa presidencial.
A articulação do novo texto está sob a responsabilidade do senador Rogério Marinho (PL-RN). Integrantes do núcleo político e econômico da campanha de Flávio já começaram a enviar sinalizações diretas ao mercado financeiro para acalmar o setor produtivo, garantindo que um projeto substitutivo será apresentado e votado em momento oportuno.
A medida em elaboração por Rogério Marinho deve mudar o eixo central da regulamentação trabalhista no país. Em vez de fixar um regime obrigatório, como o modelo 5x2, o projeto prevê uma jornada calculada e paga com base nas horas efetivamente prestadas pelo trabalhador.
"A ideia é criar um arcabouço que dê liberdade para acordos diretos entre empregadores e empregados, sem a imposição de um formato único por parte do Estado."
A proposta em gestação abre margem legal para que contratos futuros não fiquem vinculados ao limite máximo rígido e para reverter os efeitos práticos da PEC que tramita no Congresso Nacional.
A movimentação paralela do PL ocorre no mesmo momento em que o Plenário do Senado pauta a votação em primeiro turno da PEC do fim da escala 6x1, com fortes chances de aprovação entre os parlamentares.
Recentemente, o próprio candidato Flávio Bolsonaro alterou seu posicionamento público e declarou voto favorável à emenda constitucional. A mudança ocorreu após um período de forte oposição do grupo político, que anteriormente articulou para adiar as discussões e tentou impedir o avanço da matéria na pauta do Congresso.
Apesar do recuo tático de Flávio durante o período eleitoral, o senador mantém a defesa de modelos flexíveis que concedam maior margem de negociação entre as partes. A estratégia do PL consiste em apoiar o texto popular no momento e neutralizá-lo posteriormente via legislação ordinária ou complementar.