
O cantor de rap Eugênio do Nascimento Neto, de 45 anos, conhecido artisticamente como Genera, morreu na noite de quarta-feira (21) durante uma intervenção policial registrada como confronto pela Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO). A ação ocorreu na residência do artista, localizada na Avenida 3 de Julho, no bairro Jardim Veneza, em Aparecida de Goiânia.
A operação foi conduzida por equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE). Segundo o relato oficial da corporação, os militares foram ao endereço para averiguar denúncias sobre o armazenamento e a distribuição de entorpecentes na região. Ao tentarem realizar a abordagem no imóvel, os policiais teriam sido recebidos a tiros pelo músico.
Diante da reação armada, os agentes revidaram a agressão. Genera foi atingido durante o intercâmbio de disparos e não resistiu aos ferimentos, com o óbito sendo constatado no local do confronto.
Durante as buscas minuciosas realizadas no interior do imóvel, as equipes da CPE apreenderam uma pistola de uso restrito, calibre 9 mm, além de dois carregadores municiados. Na residência, os militares também encontraram oito peças inteiras de cocaína pura e diversas porções de maconha prontas para a comercialização.
De acordo com o balanço divulgado pela corporação, o montante total das substâncias ilícitas recolhidas na casa do artista está avaliado em aproximadamente R$ 280 mil.
Na garagem da propriedade, a polícia apreendeu um veículo modelo Jeep Renegade. O automóvel já vinha sendo monitorado pelas forças de segurança após denúncias anônimas de que estaria sendo utilizado para a entrega de drogas nos bairros Buriti Sereno, Jardim Veneza e Parque das Nações.
Apesar de se apresentar publicamente como produtor musical e cantor de rap, as investigações da CPE indicam que Genera exercia papel ativo no comércio de entorpecentes na Região Metropolitana de Goiânia. A Polícia Militar aponta ainda que o artista mantinha conexões operacionais com uma facção criminosa oriunda do Rio de Janeiro.
"Recently ele esteve no Rio de Janeiro gravando uma música que faz apologia ao crime. E as informações que levantamos, agora confirmadas pela grande quantidade de drogas que encontramos no imóvel, são de que ele se dedicava, também, à venda de entorpecentes", explicou o tenente Roberto Póvoa, da CPE.
Levantamentos junto ao banco de dados do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) confirmam que o cantor respondeu a um processo por tráfico de drogas em 2018. Contudo, até a data da ocorrência, ele não possuía condenação definitiva nem mandados de prisão pendentes de cumprimento.
As checagens do sistema judiciário revelaram ainda a existência de um segundo processo criminal aberto contra Eugênio no município de Aparecida de Goiânia, datado de 2011, cujos autos tramitam sob segredo de Justiça.
Todo o material bélico e as substâncias ilícitas apreendidas na residência foram encaminhados à Central de Flagrantes para a formalização do boletim de ocorrência e perícia técnico-científica.