
Um morador de Goiânia perdeu mais de R$ 250 mil após cair em um golpe sofisticado de fraude eletrônica. A vítima instalou no próprio celular um aplicativo recomendado por criminosos que simulavam oferecer oportunidades de investimentos altamente lucrativos em criptomoedas.
A ferramenta permitiu que os suspeitos assumissem o controle remoto total do smartphone. A partir do acesso concedido inadvertidamente, os golpistas invadiram aplicativos bancários e efetuaram diversas transferências não autorizadas em curto período.
O caso levou à deflagração da Operação Cryptoquimera pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO). As equipes policiais cumpriram ordens judiciais simultâneas em endereços localizados em Goiás, São Paulo e Piauí.
A engenharia social aplicada no crime teve início com a clonagem e invasão do perfil de uma rede social pertencente a uma pessoa do convívio da vítima. Os invasores passaram a publicar anúncios falsos prometendo lucros expressivos e retornos financeiros rápidos no mercado de ativos digitais.
Confiando na veracidade das postagens devido ao vínculo de amizade com o perfil, a vítima iniciou o contato para obter detalhes do negócio. Toda a negociação foi rapidamente direcionada para um aplicativo de mensagens instantâneas.
Durante a conversa, os criminosos convenceram a vítima a baixar um software específico no aparelho. Esse programa garantiu aos fraudadores a capacidade de gerenciar o dispositivo à distância sem gerar alertas imediatos de segurança.
Análises bancárias realizadas durante a apuração policial apontaram que a quadrilha movimentou mais de R$ 477 mil em apenas 24 horas utilizando as contas acessadas no celular da vítima.
Para dispersar o rastreamento do dinheiro e dificultar a ação dos órgãos de fiscalização, os valores eram fracionados e repassados por uma rede complexa de contas bancárias. O esquema contava com o suporte de empresas de fachada criadas especificamente para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Apesar de a Polícia Civil ter conseguido bloquear e recuperar uma parcela das quantias transferidas, o prejuízo líquido amargado pelo morador de Goiânia superou a marca de R$ 250 mil.
A Justiça expediu um total de 14 mandados de prisão temporária e 19 mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Cryptoquimera. O Poder Judiciário decretou ainda o bloqueio cautelar de bens e valores dos investigados no limite de R$ 250 mil.
Os alvos da ação policial podem responder formalmente pelos crimes de fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
"A orientação é desconfiar de promessas de rendimentos elevados e jamais instalar aplicativos que permitam o acesso remoto ao celular a pedido de terceiros ou por indicação de perfis em redes sociais."
A Polícia Civil reforça que invasões de contas para anúncio de investimentos falsos tornaram-se recorrentes. A corporação orienta que, ao receber propostas financeiras de amigos em redes sociais, a pessoa confirme a veracidade do contato por meio de chamada telefônica ou presencialmente antes de realizar qualquer transação ou baixar arquivos.