Sábado, 31 de Outubro de 2026
22°C 42°C
Teresina, PI

Prefeitura de Goiânia retoma terreno cedido a cooperativa de reciclagem no Residencial Antônio Barbosa

Medida atende a um abaixo-assinado com 334 assinaturas de moradores e aponta descumprimento de prazos e licenças por parte da associação

Por: Cleyber Carlos
30/10/2026 às 15h47
Prefeitura de Goiânia retoma terreno cedido a cooperativa de reciclagem no Residencial Antônio Barbosa
Prefeitura de Goiânia revoga cessão de terreno no Residencial Antônio Barbosa para associação de reciclagem (Foto: Google Street View)

A Prefeitura de Goiânia oficializou a revogação do termo de permissão de uso e a retomada de uma área pública com extensão de 1.846,72 metros quadrados, localizada na Rua Joaquim Barbosa, no Residencial Antônio Barbosa. O imóvel havia sido cedido à Associação de Materiais Recicláveis Beija-Flor para a instalação de uma central de triagem.

A destinação da área havia sido autorizada originalmente por meio de uma legislação municipal aprovada em 2019, enquanto a formalização da permissão de uso foi concluída em fevereiro de 2022, prevendo um prazo de vigência de dez anos. Contudo, a implantação do projeto passou a ser contestada diretamente pela comunidade local.

A mobilização comunitária ganhou força com a organização de um abaixo-assinado que reuniu 334 assinaturas, das quais 121 pertenciam a residentes diretamente impactados pela vizinhança da obra. Os moradores argumentaram que a operação de reciclagem é incompatível com o perfil estritamente residencial do bairro e defenderam a destinação do espaço para a construção de uma praça ou área verde.

 

Parecer técnico e descumprimento de prazos

Além da pressão exercida pela comunidade, o processo administrativo de retomada fundamentou-se em análises técnicas realizadas pelos órgãos de fiscalização do município. Um relatório elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico apontou o descumprimento de exigências contratuais de implantação.

De acordo com o parecer da pasta, o terreno permanecia completamente sem benfeitorias em julho de 2026, sendo que as primeiras intervenções no solo foram iniciadas apenas no mês de setembro. A avaliação técnica destacou ainda que a atividade pretendida apresentava incompatibilidade com o sistema viário da região e continha pendências no licenciamento ambiental.

O relatório interno registrou também denúncias sobre possíveis irregularidades cometidas durante o início das obras no imóvel público, incluindo a perfuração de um poço artesiano sem outorga e a realização de uma ligação clandestina de energia elétrica na rede distribuidora.

 

Trâmite administrativo e alternativa de espaço

A decisão declaratória de revogação da permissão foi assinada pelo prefeito Sandro Mabel e publicada na edição do Diário Oficial do Município. O ato dá início às etapas formais para a reintegração de posse do imóvel por parte do patrimônio municipal.

"Com a publicação do ato oficial, a associação será notificada para tomar ciência da decisão, abrindo-se o prazo legal para a apresentação de eventuais recursos administrativos ou manifestações de defesa."

Sensível à relevância social do trabalho desempenhado pelos catadores de materiais recicláveis, a administração municipal informou que pretende realizar estudos técnicos para identificar um local alternativo. A intenção é disponibilizar uma área adequada que atenda às normas urbanísticas, viárias e ambientais para a continuidade do trabalho da associação.

Até o fechamento desta reportagem, os representantes da Associação de Materiais Recicláveis Beija-Flor não haviam emitido posicionamento oficial referente ao ato de cancelamento da permissão.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias