
Uma denúncia grave de violência contra a pessoa idosa está sob investigação das autoridades policiais. Um vídeo gravado por um morador do Setor Jardim Maria Inês, localizado em Aparecida de Goiânia, flagrou o momento em que uma mulher desfere agressões físicas e ofensas verbais contra uma idosa encurralada contra o muro de uma residência.
De acordo com o relato do morador responsável pelo registro, que preferiu não se identificar por razões de segurança, os episódios de violência são frequentes no imóvel. O vizinho afirmou que tentou intervir acionando as forças de segurança pública repetidas vezes antes de conseguir registrar as imagens.
"Eu liguei para a polícia umas cinco vezes, eles vão lá e aí falam: 'É, não tem flagrante'. Mesmo eu mostrando o vídeo."
As imagens gravadas mostram a suspeita, vestida com blusa escura e calça clara, encurralando a idosa no quintal do imóvel. Durante o registro, o testemunho de quem filma tenta conter a violência verbalmente, pedindo que as agressões sejam interrompidas.
No entanto, a mulher desferiu tapas fortes no rosto da vítima enquanto exigia informações sobre parentes. Em um dos trechos do vídeo, a agressora grita e cobra o nome de familiares de forma ostensiva.
"Fala o nome da minha mãe! [...] A sua irmã, cachorra!"
A dinâmica gravada revela ainda a agressora exigindo repetidamente que a idosa mantenha as mãos para trás enquanto continua a desferir golpes contra a vítima. A Polícia Civil esclareceu que as falas capturadas no áudio do vídeo não permitem determinar com precisão o grau de parentesco entre ambas, existindo a dúvida se a relação é de mãe e filha ou de tia e sobrinha.
Além da violência física registrada em vídeo, a testemunha fez relatos graves sobre as condições de convivência no local. Segundo o morador, a idosa seria mantida sem alimentação adequada e em situação compatível com cárcere privado e privação de cuidados básicos.
O testemunho apontou ainda que, nas ocasiões em que equipes da Polícia Militar compareceram ao endereço, a idosa costumava negar as agressões perante os agentes por intimidação ou por pena da agressora.
A Polícia Civil de Goiás tomou conhecimento oficial dos fatos nesta sexta-feira (23). A delegada Bruna Coelho, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Aparecida de Goiânia, informou que o órgão não havia recebido notificação prévia até o surgimento das imagens e que uma equipe foi enviada imediatamente ao local para checar a situação e adotar as medidas cabíveis.
"Tomamos conhecimento do caso nesta sexta-feira por meio de terceiros. Uma equipe foi encaminhada ao local para apurar os fatos e identificar as envolvidas."
Os nomes e as idades exatas da vítima e da agressora não foram divulgados pelas autoridades para preservar as apurações em andamento. A Polícia Civil orienta que denúncias sobre maus-tratos ou agressões podem ser feitas anonimamente pelo telefone 197.