
O presidente do Atlético Goianiense, Adson Batista, fez uma análise franca e aprofundada sobre o panorama atual do futebol goiano na reta final do Campeonato Brasileiro da Série B. Em entrevista concedida à rádio BandNews FM Goiânia, o dirigente rubro-negro não poupou elogios ao rival Vila Nova, que lidera a competição e caminha a passos largos para conquistar a vaga na elite do futebol nacional, ao mesmo tempo em que manifestou solidariedade aos problemas financeiros enfrentados pelo Goiás Esporte Clube.
Demonstrando uma postura de reconhecimento e maturidade esportiva, o mandatário do Dragão destacou a estabilidade e a organização que o clube colorado conseguiu estruturar nos últimos anos sob o comando do vice-presidente financeiro, Hugo Jorge Bravo, e demais diretores. Para Adson, a campanha consistente do Vila Nova é fruto de um planejamento de longo prazo que agora colhe seus resultados dentro de campo.
"Eu sinto que o Vila vai subir. O Vila está fazendo um trabalho muito bem feito, eu reconheço isso, está batendo na porta há muito tempo, e uma hora a porta abre. Um trabalho consistente, muito organizado, liderado lá pelo Hugo, e a gente tem que reconhecer."
Ao analisar a alternância de forças na capital goiana, Adson Batista relembrou os tempos em que o Atlético-GO precisava correr atrás da estrutura do Goiás para conseguir espaço no cenário nacional. O dirigente apontou que, embora o Rubro-Negro tenha alcançado um patamar de equilíbrio em gestões passadas, o momento atual exige reconhecer a superioridade estrutural e esportiva demonstrada pelo Vila Nova em todas as competições da temporada.
O presidente rubro-negro também fez questão de abordar a situação delicada enfrentada pelo Goiás fora das quatro linhas. O Esmeraldino convive com uma realidade financeira austera e acumula chances escassas de acesso, ocupando uma posição desfavorável na tabela. Adson ressaltou que a escalada dos custos de manutenção no futebol moderno tem sufocado as gestões estaduais.
"Por exemplo, aqui sempre nós corríamos atrás do Goiás. Chegou um momento em que o Atlético conseguiu dar uma equilibrada. Hoje o momento já é diferente. Hoje o Vila está aí na frente nos campeonatos todos e a gente tem que reconhecer. Um trabalho bem feito, organizado, sólido, não está com problema financeiro, e eu sinto as dificuldades. Por exemplo, o Goiás, o que está passando eu sinto na minha pele porque é muito difícil administrar futebol hoje, é muito gasto em cima dos clubes e pouco retorno."
Enquanto o Goiás busca milagres matemáticos e o Vila Nova consolida sua posição no topo da tabela, o Atlético Goianiense vive uma situação intermediária e depende apenas de suas próprias forças para se manter no G-6 e avançar aos playoffs de acesso a quatro rodadas do término da primeira fase.
Para aliviar a pressão sobre o elenco e cobrar maior desempenho em campo, Adson garantiu nesta quinta-feira (22) que o clube quitou 90% das pendências financeiras acumuladas. O aporte de recursos e a regularização dos salários, segundo o presidente, transferem a responsabilidade de buscar a vaga inteiramente para os atletas e para a comissão técnica.
Apesar de manter o Atlético em situação competitiva na Série B, Adson Batista aproveitou a oportunidade para desabafar sobre o pesado custo pessoal e emocional exigido pela presidência de um clube de futebol. O dirigente criticou a cultura de ataques destruidores promovida por setores da torcida e por produtores de conteúdo nas redes sociais, afirmando que a rotina administrativa oferece raros momentos de celebração em comparação com o nível de cobrança diária.
O dirigente enfatizou que a pressão constante tem afastado potenciais gestores e investidores do esporte, alertando para um cenário de esgotamento de dirigentes vocacionados nos próximos anos.
"Às vezes emocionalmente você perde até a saúde, tem pessoas irresponsáveis que trabalham 24 horas só para denegrir a sua imagem, a sua história. Então são situações que é muito difícil você conviver no futebol, e tem hora que a gente fala aqui: será que isso vale a pena? Será que isso é algo que me faz bem? Eu sou apaixonado por futebol, mas eu sinto que vai chegar um ponto que poucas pessoas vão querer mexer com futebol. É muita gente apontando o dedo, querendo denegrir a imagem, esculhambando, para poucos momentos de alegria."