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Ex-líder de centro espírita no Jardim Guanabara II é alvo do MP por crimes sexuais e extorsão de imagens

Investigado em Goiânia é suspeito de usar a doação de cestas básicas e a manipulação da fé para obter vídeos e fotos íntimas de fiéis assistidas

Por: Cleyber Carlos
27/10/2026 às 09h56
Ex-líder de centro espírita no Jardim Guanabara II é alvo do MP por crimes sexuais e extorsão de imagens
Fachada antiga do Centro Espírita - (Foto: divulgação/MP)

Um ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo tornou-se o principal alvo de uma operação do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) na manhã desta terça-feira (27). O investigado é suspeito de utilizar o espaço religioso, localizado no Jardim Guanabara II, em Goiânia, como plataforma para a prática reiterada de crimes sexuais e abusos contra frequentadoras da instituição.

Ao todo, agentes do Ministério Público cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito na capital goiana, incluindo a própria sede do centro espírita. As ordens judiciais buscam recolher provas eletrônicas e materiais que ajudem a delimitar a dimensão dos abusos praticados no local.

 

Medidas cautelares e quebra de sigilo

A pedido das promotorias responsáveis pelo caso, a Justiça determinou o afastamento do sigilo de dados telemáticos do ex-líder religioso para analisar conversas, arquivos e trocas de mensagens. Além da busca por provas, o Poder Judiciário impôs severas medidas cautelares ao investigado.

Entre as determinações, ele fica obrigado a comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades e está sumariamente proibido de frequentar a sede da entidade. A restrição estende-se a qualquer evento, reunião ou atividade promovida pela comunidade espírita em outros endereços ou cidades.

 

Manipulação da fé e cooptação por cestas básicas

As apurações do Ministério Público tiveram início a partir de uma notícia-crime apresentada por uma integrante da própria comunidade. O procedimento corre sob sigilo para preservar a identidade e a integridade das testemunhas. Segundo o órgão, o investigado usava sua posição de autoridade e a manipulação da fé para submeter mulheres em situação de fragilidade a violações sexuais.

A investigação revelou um esquema cruel de exploração social: o ex-presidente utilizava programas assistenciais da entidade para cooptar as vítimas. Ele exigia o envio de fotos e vídeos íntimos em troca da doação de cestas básicas para famílias carentes atendidas pelo local.

"O investigado também teria explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da entidade, usando a doação de cestas básicas para obter material de conteúdo sexual. Há ainda indícios de que ele divulgou a terceiros, sem consentimento, fotografias e vídeos íntimos de uma das vítimas."

O Ministério Público não informou até o momento o número total de vítimas identificadas ou o período exato em que os crimes começaram a ser praticados na capital.

 

Destituição do cargo e tentativa de expansão no interior

Diante das denúncias internas, uma assembleia geral extraordinária realizada em julho deste ano aprovou a destituição formal do líder de seu cargo na presidência. Atualmente, o prédio do centro no Jardim Guanabara II encontra-se temporariamente fechado e sob a responsabilidade de uma nova junta administrativa.

Apesar do afastamento em Goiânia, os investigadores descobriram que o suspeito estaria articulando a expansão de suas atividades no interior do estado. Informações repassadas ao MP apontam que ele estaria atuando no município de Santa Helena de Goiás e organizando a fundação de um novo centro religioso na região.

A movimentação acendeu o alerta das autoridades, que investigam se ele estava utilizando o mesmo pretexto de liderança espiritual para se aproximar de outras mulheres vulneráveis no sudoeste goiano.

 

Canais de denúncia e acolhimento às vítimas

Diante da suspeita de que mais mulheres possam ter sido lesadas, o Ministério Público disponibilizou os canais oficiais do Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita) para o recebimento de novos relatos ou denúncias anônimas:

Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita - MPGO)

  1. Atendimento telefônico: (62) 3243-5119 / (62) 3243-8161 / (62) 3243-8120

  2. WhatsApp oficial: (62) 9 9428-7362

  3. Atendimento digital: [email protected]

  4. Atendimento presencial: Sede do Ministério Público do Estado de Goiás, em Goiânia

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