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Esquema de peças roubadas com galpões na Vila Canaã, em Goiânia, movimentou R$ 15 milhões

Operação da DERFRVA prendeu 12 pessoas e cumpriu mandados em Goiás e Mato Grosso após descoberta de rede que desmantelava camionetes de luxo

Por: Cleyber Carlos
16/10/2026 às 11h36
Esquema de peças roubadas com galpões na Vila Canaã, em Goiânia, movimentou R$ 15 milhões
Suspeitos de vender peças de camionetes roubadas em GO movimentaram pelo menos R$ 15 milhões, diz polícia (Foto: Reprodução)

Uma megaoperação deflagrada de forma simultânea nos estados de Goiás e Mato Grosso cumpriu 12 mandados de prisão e desarticulou uma organização criminosa especializada na receptação e comercialização de peças de camionetes de luxo roubadas.

As apurações conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão aos Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) indicam que a engrenagem ilícita conseguiu movimentar pelo menos R$ 15 milhões no período de apenas um ano.

 

Rota do crime e galpões na Vila Canaã

O esquema funcionava a partir do furto e roubo de camionetes de alto valor comercial em estados da Região Sudeste, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Após os crimes, os veículos eram transportados até Goiânia.

Na capital goiana, a quadrilha utilizava galpões alugados exclusivamente para o desmonte das estruturas. Partes do maquinário e componentes sem numeração rastreável eram repassados para estabelecimentos comerciais localizados na Vila Canaã, polo tradicional de autopeças.

As peças eram expostas e comercializadas para consumidores finais como se tivessem procedência legal, ocultando a origem ilícita dos componentes automotivos.

 

Divisão de tarefas e ramificação no Mato Grosso

Segundo o delegado Fernando Gama, responsável pelas investigações da DERFRVA, o grupo apresentava uma estrutura logística bem definida, com divisão clara de funções entre os envolvidos.

"Todas as peças que não são rastreáveis eram retiradas e enviadas para estes comércios, onde eram vendidas como se tivessem origem lícita", explicou o delegado Fernando Gama.

A organização contava com núcleos específicos para o transporte dos automóveis roubados, equipes dedicadas ao desmonte mecânico nos galpões e comerciantes responsáveis pela compra e revenda dos itens.

Um dos alvos da operação foi localizado e preso no município de Sinop, no Mato Grosso, portando uma expressiva quantia em dinheiro em espécie. As investigações apontam que o suspeito mantinha lojas de autopeças em Goiânia e abriu recentemente um comércio similar em solo mato-grossense.

Foi esse mesmo comerciante o responsável por alugar os três galpões clandestinos em Goiânia usados como ponto central de desmanche.

 

Apreensões, bloqueio de bens e acusações

Além das 12 prisões efetuadas, os policiais civis cumpriram 35 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências nos endereços ligados aos investigados, foram recolhidos documentos fiscais, equipamentos eletrônicos e quatro armas de fogo.

A pedido da Polícia Civil, o Poder Judiciário determinou o sequestro e o bloqueio de bens, imóveis e contas bancárias pertencentes aos membros do grupo, visando garantir o ressarcimento dos danos e descapitalizar a organização.

Os detidos, cujas identidades não foram divulgadas pelas autoridades policiais, responderão criminalmente pelos delitos de:

  • Receptação qualificada: pela comercialização no exercício de atividade comercial;

  • Adulteração de sinal identificador de veículo automotor: pela remoção e alteração de marcações de fábrica;

  • Associação criminosa: pela união estruturada para o cometimento recorrente de delitos;

  • Lavagem de capitais: pela ocultação e dissimulação de bens provenientes de origem ilícita.

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