
Uma megaoperação deflagrada de forma simultânea nos estados de Goiás e Mato Grosso cumpriu 12 mandados de prisão e desarticulou uma organização criminosa especializada na receptação e comercialização de peças de camionetes de luxo roubadas.
As apurações conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão aos Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) indicam que a engrenagem ilícita conseguiu movimentar pelo menos R$ 15 milhões no período de apenas um ano.
O esquema funcionava a partir do furto e roubo de camionetes de alto valor comercial em estados da Região Sudeste, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Após os crimes, os veículos eram transportados até Goiânia.
Na capital goiana, a quadrilha utilizava galpões alugados exclusivamente para o desmonte das estruturas. Partes do maquinário e componentes sem numeração rastreável eram repassados para estabelecimentos comerciais localizados na Vila Canaã, polo tradicional de autopeças.
As peças eram expostas e comercializadas para consumidores finais como se tivessem procedência legal, ocultando a origem ilícita dos componentes automotivos.
Segundo o delegado Fernando Gama, responsável pelas investigações da DERFRVA, o grupo apresentava uma estrutura logística bem definida, com divisão clara de funções entre os envolvidos.
"Todas as peças que não são rastreáveis eram retiradas e enviadas para estes comércios, onde eram vendidas como se tivessem origem lícita", explicou o delegado Fernando Gama.
A organização contava com núcleos específicos para o transporte dos automóveis roubados, equipes dedicadas ao desmonte mecânico nos galpões e comerciantes responsáveis pela compra e revenda dos itens.
Um dos alvos da operação foi localizado e preso no município de Sinop, no Mato Grosso, portando uma expressiva quantia em dinheiro em espécie. As investigações apontam que o suspeito mantinha lojas de autopeças em Goiânia e abriu recentemente um comércio similar em solo mato-grossense.
Foi esse mesmo comerciante o responsável por alugar os três galpões clandestinos em Goiânia usados como ponto central de desmanche.
Além das 12 prisões efetuadas, os policiais civis cumpriram 35 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências nos endereços ligados aos investigados, foram recolhidos documentos fiscais, equipamentos eletrônicos e quatro armas de fogo.
A pedido da Polícia Civil, o Poder Judiciário determinou o sequestro e o bloqueio de bens, imóveis e contas bancárias pertencentes aos membros do grupo, visando garantir o ressarcimento dos danos e descapitalizar a organização.
Os detidos, cujas identidades não foram divulgadas pelas autoridades policiais, responderão criminalmente pelos delitos de:
Receptação qualificada: pela comercialização no exercício de atividade comercial;
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor: pela remoção e alteração de marcações de fábrica;
Associação criminosa: pela união estruturada para o cometimento recorrente de delitos;
Lavagem de capitais: pela ocultação e dissimulação de bens provenientes de origem ilícita.