
A prefeita do município de Porangatu, Vanusa Valadares (UB), envolveu-se em uma polêmica durante visita a uma unidade pública de saúde do município. Em vídeo registrado no local, a gestora aparece ao lado de uma gestante que enfrentava a perda fetal e aguardava transferência hospitalar. Diante do relato de dores intensas e suposta falha na prescrição de medicamentos para infecção urinária, a mandatária atribuiu a situação à formação profissional e à gestão do governo federal.
As declarações ocorrem em um momento em que a paciente relatava o drama de carregar o feto sem vida enquanto aguardava regulação para um leito especializado. A visita e os registros em vídeo foram realizados no último sábado (24/10), às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
Nas imagens gravadas na unidade de saúde, a mulher relata que buscou atendimento inicial em um posto da rede municipal, onde não teria recebido diagnóstico nem prescrição médica para tratar uma infecção urinária e quadro de anemia. A condição só teria sido diagnosticada posteriormente, já durante a internação no hospital municipal.
A paciente também confirmou ter realizado um exame de ultrassom que constatou a ausência de batimentos cardíacos fetais. Sob fortes dores, ela apelou diretamente à prefeita para conseguir a transferência para outra unidade capaz de realizar o procedimento de retirada do feto.
"A única coisa que eu quero é que consigam uma vaga para mim, para transferir, para tirar o neném de dentro de mim, porque eu não aguento mais de tanta dor que eu estou sentindo."
Ao ouvir a narrativa, Vanusa Valadares questionou a identidade do profissional responsável pelo primeiro atendimento e defendeu a divulgação do caso como forma de denúncia sobre os serviços de saúde no interior do país. Durante a fala, a prefeita direcionou críticas diretas às instituições de ensino e à administração federal.
"É para ser divulgado e espalhar em todo canto do Brasil, para mostrar a realidade do interior, o que o interior vive, o que as pessoas sofrem com a medicina do nosso país, que está acabada. Tem que fechar todas as faculdades de medicina do Brasil."
A gestora prosseguiu atribuindo a responsabilidade política do caso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarando que o governo federal "está acabando com o Brasil e colocando pessoas em risco". Em seguida, prometeu providenciar a transferência da munícipe e orientou a paciente a não votar no candidato do PT.
Em notas de esclarecimento divulgadas após a repercussão do caso, o Governo de Porangatu detalhou o histórico médico da paciente. Segundo a administração, o primeiro atendimento ocorreu em 13 de outubro, data em que um exame de urina não apontou infecção.
No retorno da paciente à unidade, em 19 de outubro, um novo exame confirmou a presença da infecção, dando início à medicação e à internação. O ultrassom transvaginal realizado na sequência confirmou a perda gestacional. A prefeitura informou que a mulher permaneceu sob monitoramento clínico até o dia 25 de outubro, data em que obteve vaga via sistema de regulação e foi transferida para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), localizado em Uruaçu.
A Prefeitura de Porangatu argumentou que as manifestações da prefeita ocorreram em um "momento de comoção e desabafo" diante do sofrimento vivenciado pela munícipe. A gestão ressaltou que a prefeita se posicionou "não apenas como gestora pública, mas também como mulher e mãe".
A administração municipal citou ainda dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação em janeiro de 2026, indicando que 107 de 351 cursos avaliados obtiveram notas insatisfatórias, para defender que o debate sobre a qualidade do ensino médico tem amplitude nacional.
Por fim, o município informou que a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento da paciente será apurada mediante análise dos prontuários e registros assistenciais. A gestão garantiu respeito à ética dos profissionais de saúde e reiterou o compromisso com a apuração responsável e o aperfeiçoamento dos serviços de saúde pública.