
Uma polêmica envolvendo posicionamentos políticos e conduta profissional resultou na demissão de uma advogada do quadro de colaboradores da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES). A decisão foi confirmada pela instituição após a circulação de um vídeo gravado dentro da própria sede do órgão.
Na gravação, a profissional faz declarações ostensivas contra apoiadores e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT). O conteúdo ganhou rápida repercussão nas plataformas digitais, gerando reações de repúdio e cobrando um posicionamento oficial da entidade classista.
A advogada envolvida no caso foi identificada como Julia Gobbo Amorim. No vídeo publicado na internet, ela expressa publicamente ter preconceito contra pessoas alinhadas ao espectro político do PT.
Durante a fala, Julia ressalta a presença de profissionais com esse perfil ideológico na própria estrutura da OAB do Espírito Santo. Em seguida, passa a tecer críticas diretas ao grupo e assume uma postura declarada de retaliação no ambiente de trabalho.
“E aí, o que depender de mim, meu amor, eu vou dificultar a vida das pessoas. Ué, tá tudo certo, não é isso? A partir de agora vai ser isso.”
A gravação teria sido compartilhada originalmente no recurso "Amigos Próximos" (Close Friends) de seu perfil no Instagram, destinado a uma lista restrita de seguidores. Contudo, o arquivo vazou e se espalhou por outras redes sociais. Com a forte repercussão negativa, a advogada optou por desativar sua conta na plataforma.
Diante do impacto da publicação, a diretoria da OAB-ES emitiu uma nota oficial para anunciar o desligamento imediato da advogada do seu quadro funcional. A instituição fez questão de reafirmar seu caráter apartidário e o compromisso institucional com os princípios democráticos.
O comunicado enfatizou que a Ordem defende a pluralidade de ideias, o respeito mútuo e a dignidade humana. A entidade apontou que, embora respeite o direito à liberdade de expressão, não tolera condutas de cunho discriminatório praticadas em suas dependências ou associadas ao nome da instituição.
“Por esses motivos, a OAB-ES repudia as declarações ofensivas divulgadas em vídeo gravado por uma colaboradora nas dependências da instituição e informa que ela foi desligada de seu quadro.”
A nota da entidade ressaltou que manifestações de intolerância contra pessoas em razão de suas convicções políticas violam os preceitos éticos da casa. A OAB-ES não detalhou se o caso será encaminhado para apuração no Tribunal de Ética e Disciplina. Procurada para se manifestar sobre a demissão e o conteúdo do vídeo, a advogada não enviou resposta até o fechamento desta reportagem.
O episódio ocorre em meio ao acirramento do debate sobre condutas discriminatórias e intimidação no ambiente corporativo e institucional por motivação política. A legislação brasileira e órgãos de fiscalização do trabalho vêm intensificando ações de combate a atitudes que visem punir ou prejudicar trabalhadores e cidadãos devido a posicionamentos partidários.
A postura adotada pela seccional capixaba busca reforçar a neutralidade das dependências públicas e institucionais. O caso acendeu o alerta em entidades de classe sobre os limites do uso de espaços corporativos para a gravação de conteúdos pessoais com teor discriminatório.
A demissão sumária da profissional serviu como medida pedagógica da instituição para assegurar que suas dependências não sejam utilizadas para ataques ou perseguições ideológicas. A repercussão do caso segue sendo acompanhada por juristas e representantes da advocacia em todo o país.