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Flávio Bolsonaro viaja para os EUA após descumprir prazo do STF para entrega de passaporte

Derrotado nas urnas no segundo turno, senador estaria em voo com destino aos Estados Unidos após prazo determinado pelo Supremo Tribunal Federal expirar

Por: Cleyber Carlos
27/10/2026 às 16h34
Flávio Bolsonaro viaja para os EUA após descumprir prazo do STF para entrega de passaporte

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo informações confirmadas por aliados e fontes de investigação ligadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre no dia seguinte ao término do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o congressista foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A partida do parlamentar ocorreu em meio ao descumprimento de uma ordem judicial expedida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Na última segunda-feira (26), o magistrado determinou a entrega imediata dos passaportes de Flávio à Polícia Federal em um prazo máximo de 24 horas, medida cautelar fundamentada no risco de evasão do país diante das investigações em curso na Corte Suprema.

 

Descumprimento de prazo e apuração sobre rota de fuga

O prazo estipulado pelo Supremo encerrou-se na manhã desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados às autoridades policiais. Como consequência direta da inércia, a Polícia Federal formalizou o cancelamento administrativo dos passaportes brasileiros do parlamentar nos sistemas migratórios.

Informações preliminares das forças de segurança indicam que o senador pode ter deixado o território nacional por meio de uma rota alternativa de fronteira terrestre antes de embarcar em um voo internacional. A hipótese em apuração é de que o parlamentar tenha ingressado na Argentina para seguir em viagem rumo ao território norte-americano utilizando um passaporte italiano, uma vez que possui cidadania europeia reconhecida.

"No texto enviado ao coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), na manhã desta terça-feira, o congressista afirmou apenas que estava 'esfriando a cabeça', sem mencionar expressamente a decisão de deixar o país."

A comunicação interceptada pelos interlocutores foi a última mensagem emitida por Flávio antes de desligar os canais habituais de contato com sua equipe política em Brasília.

 

Inquéritos no Supremo Tribunal Federal

A determinação de retenção de documentos de viagem está vinculada a procedimentos investigativos que tramitam sob sigilo e perante o STF. Entre as apurações, a Polícia Federal investiga supostos esquemas de lavagem de dinheiro, transações financeiras atípicas e movimentações suspeitas envolvendo empresas sediadas no exterior e intermediários ligados ao gabinete parlamentar.

Ademais, o senador também é citado em procedimentos apuratórios que analisam o financiamento e o repasse de recursos para produções audiovisuais e eventos políticos durante o período pré-eleitoral. O congressista nega qualquer irregularidade em suas condutas e classifica as investigações como medidas de perseguição promovidas pelo Poder Judiciário.

 

Reações políticas e medidas judiciais cabíveis

A confirmação da viagem de Flávio Bolsonaro ao exterior acionou os bastidores do Judiciário e da Polícia Federal. Diante da saída do investigado do país sem prévia autorização judicial e com o descumprimento formal de cautelar imposta por ministro do STF, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal analisam o pedido de inclusão do nome do parlamentar nos canais de cooperação internacional.

Se a autoridade judiciária entender que a conduta configura intenção deliberada de se esquivar da aplicação da lei penal, o Supremo Tribunal Federal poderá decretar a prisão preventiva do congressista e acionar a difusão vermelha da Interpol para cooperação com agências estrangeiras.

"A alegação de aliados é que o senador pretende solicitar formalmente asilo político em solo americano, argumentando ser alvo de restrições arbitrárias à sua atuação política e de violações às garantias de seu mandato."

A viagem do congressista reflete o aprofundamento das tensões políticas pós-eleitorais e coloca a cúpula da oposição parlamentar sob incerteza quanto à liderança dos blocos partidários do PL no Congresso Nacional para a próxima legislatura.

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