
O senador por Goiás Jorge Kajuru (PSB) avaliou de forma bastante positiva a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar o ex-senador Rodrigo Pacheco (PSD) para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda este ano.
Na visão do congressista goiano, a escolha do parlamentar mineiro ajudaria a pacificar o diálogo institucional entre os Poderes e garantiria um nome de forte aceitação no Congresso Nacional.
"Rodrigo Pacheco consegue ter respeito da direita e da esquerda", declarou o senador goiano ao defender a escolha.
Para Kajuru, o eventual envio do nome de Pacheco ao Senado representaria um ajuste estratégico fundamental na condução das indicações do Poder Executivo para a Corte Suprema.
O senador relembrou o desgaste provocado em abril, quando o presidente da República optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no tribunal.
"Que o Lula corrija esse erro primário já", afirmou Kajuru, referindo-se às divergências geradas pela indicação anterior do AGU.
Na ocasião da escolha de Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articulou ativamente nos bastidores contra a aprovação do nome, marcando um episódio tenso de atrito entre o Congresso e o Palácio do Planalto. A preferência da cúpula do Senado sempre esteve voltada para a indicação do próprio Pacheco.
A recente reaproximação entre o chefe do Executivo e o comando do Senado trouxe novamente o nome de Rodrigo Pacheco para o centro do radar das nomeações ao Judiciário. A parceria política entre o Palácio do Planalto e a cúpula da Casa Baixa e Alta visa criar uma frente ampla de governabilidade.
Um dos reflexos diretos dessa aliança foi a consolidação e aprovação de matérias de grande apelo popular e econômico no Congresso Nacional, incluindo propostas de emenda à Constituição voltadas às garantias trabalhistas, como a revisão da escala 6x1.
As negociações em curso apontam que a indicação do ex-presidente do Senado para o Supremo faz parte de um conjunto de acordos políticos firmados para assegurar estabilidade institucional nos próximos anos.
Apesar de já ter sido indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU), Pacheco ainda não assumiu o cargo na Corte de Contas. A antecipação de sua indicação ao STF para este ano é vista como um movimento estratégico do grupo governista para preencher as cadeiras abertas e reduzir a margem de nomeações futuras na Suprema Corte.
Mapeamentos internos no Senado indicam que Rodrigo Pacheco contaria com o apoio consolidado da maioria dos senadores na Casa Alta, o que viabilizaria uma aprovação tranquila durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no Plenário.
O cenário ganha relevância diante do calendário de aposentadorias compulsórias na Suprema Corte para os próximos anos:
Ministro Luiz Fux: aposentadoria prevista para abril de 2028;
Ministra Cármen Lúcia: aposentadoria prevista para abril de 2029;
Ministro Gilmar Mendes: aposentadoria prevista para dezembro de 2030.
A articulação tenta blindar o Supremo Tribunal Federal e assegurar que as vagas abertas no Judiciário passem por forte crivo de diálogo e consenso entre as bancadas partidárias antes de qualquer mudança de composição.